Facebook/Reprodução
Facebook/Reprodução

Falta de luz atrasa liberação de corpo de jovem eletrocutado

Lailson Silva de Almeida morreu nesta quinta após a fiação de poste ser rompida por árvore; legistas do IML não conseguiram terminar trabalho sem energia

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2016 | 15h15

SÃO PAULO - Eram 6 horas da manhã desta sexta-feira, 21, quando familiares do pintor Lailson Silva de Almeida, de 23 anos, chegaram ao Instituto Médico Legal (IML) Oeste, na região da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), na zona oeste da capital paulista, para liberar o corpo e preparar o velório. O rapaz havia morrido eletrocutado na tarde anterior, após uma árvore  arrebentar uma fiação na Lapa, também na zona oeste. Às 14h35, ainda aguardavam sentados. O motivo: falta de energia.

"Ainda não conseguimos liberar o corpo porque estava sem luz", afirma a vendedora Laís Silva de Almeida, de 25 anos, a única irmã da vítima. Segundo conta, apesar de Almeida ter sido transferido ao IML de madrugada, às 2 horas, o trabalho dos legistas não pôde ser realizado porque a unidade só retomou o abastecimento de energia por volta das 13 horas. "É um descaso", reclama.

Almeida morava sozinho na mesma rua da casa onde vivem Laís e a mãe, no Parque Anhanguera, na Marginal do Tietê. O pintor trabalhava em uma oficina na Rua Albion, na Lapa, há oito meses. O pintor recebeu o último salário no mesmo dia da tragédia.

Com o dinheiro, Almeida, que não tinha filhos, queria comprar um presente para o afilhado, que fez aniversário de dois anos nesta sexta. "Era o xodó dele", diz a irmã.

O acidente aconteceu por volta das 17 horas. Almeida foi eletrocutado ao tentar fechar o portão da oficina. Uma árvore caiu e derrubou um poste na rua. "Os amigos do trabalho tentaram reanimá-lo. Eles disseram que ele ainda chegou a abrir os olhos, mas depois apagou", diz Laís

Segundo ela, o trânsito provocado pelos alagamentos na região dificultou a chegada da ambulância. "Os amigos pararam uma viatura, e os policiais tiveram de carregar meu irmão no braço porque estava tudo travado", afirma.

A mãe da vítima sofre de pressão alta efoi hospitalizada ao saber do filho. "Ele estava tentando recomeçar a vida, havia se separado há umas semana", diz Laís. "Queria casar, ter filho, construir uma família." Pelos familiares, Almeida é descrito como "brincalhão" e "palmeirense roxo".

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) que o gerador da unidade apresentou mau funcionamento, mas técnicos foram chamados para realizar o conserto. Por causa das chuvas, o fornecimento de energia havia sido interrompido de manhã, diz a pasta. 

A SSP também afirma que  o funcionamento da unidade foi normalizado por volta do meio-dia. "O IML lamenta que os trabalhos tenham se alongado por causa da falta de iluminação, mas é importante destacar que não houve prejuízo à qualidade dos trabalhos", diz a nota. Segundo a secretaria, o corpo do rapaz estava liberado às 13h e foi retirado pela funerária às 15h15.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.