Falta de hotéis será gargalo na Copa, alerta estudo do IBGE

As 12 cidades-sede têm 416.147 vagas, mas 600 mil estrangeiros são esperados e 3 milhões de brasileiros se deslocarão

CLARISSA THOMÉ , HELOISA ARUTH STURM/ RIO, O Estado de S.Paulo

26 Abril 2012 | 03h04

A hospedagem será o grande gargalo que o Brasil enfrentará na Copa do Mundo de 2014. É o que mostra a Pesquisa de Serviços de Hospedagem 2011, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As 12 cidades-sede têm capacidade para hospedar 416.147 visitantes. Somadas as regiões metropolitanas, serão 567.195 hóspedes atendidos. É pouco.

A estimativa do Ministério do Turismo é de que 600 mil estrangeiros viajem para o País e 3 milhões de brasileiros se desloquem internamente durante o Mundial.

A Região Sudeste concentra 40% da capacidade total de hóspedes, com 298.512 vagas. A Grande São Paulo tem o maior número de estabelecimentos: 1.323, entre hotéis, pousadas, motéis, flats, albergues e pensões. A capital concentra 73,5% desses empreendimentos.

O contraponto é o Recife. Mais da metade da rede hoteleira está fora da capital e se espalha por outras cidades da região metropolitana (56,7%). "O objetivo da pesquisa é justamente fornecer subsídios para que as autoridades avaliem se essa capacidade está de acordo com o número previsto de ingresso de turistas para esses grandes eventos", afirmou Roberto da Cruz Saldanha, responsável pela pesquisa do IBGE.

O Ministério do Turismo já traçou o perfil do turista que virá à Copa, com base em pesquisa feita durante o Mundial da África do Sul, em 2010 - são homens (83%), com ensino superior (86%) e renda média mensal de R$ 23, 4 mil.

Mas esse público terá de se acostumar com hospedagens mais modestas ou alternativas. O levantamento do IBGE mostrou que somente 12,6% dos estabelecimentos das regiões metropolitanas são considerados de luxo ou superior/muito confortável (939). A maioria desses empreendimentos fica em São Paulo: 174. O Grande Rio tem a maior proporção de hospedagem de luxo do País (18,2%).

A pesquisa mostrou também que um em cada quatro estabelecimentos hoteleiros no País é um motel. A Região Metropolitana de Porto Alegre concentra, em termos relativos, o maior número de motéis entre todas as capitais: são 134 (37%), 16 a menos do que a quantidade verificada no Grande Rio, que possui uma população três vezes maior que a do entorno da capital gaúcha. "Muitas vezes o motel é descartado como estabelecimento de hospedagem para turistas, mas é um tipo de estabelecimento a ser considerado em um momento de grandes eventos", afirmou Saldanha.

Transformações. O perfil da hotelaria brasileira ainda vai mudar até o início dos eventos esportivos. Só no Rio serão construídos 5,2 mil quartos até a Copa e outros 4,8 mil para os Jogos Olímpicos. "Esses eventos devem permitir a construção de uma hotelaria de alto nível, mas que seja sustentável, para não acontecer o que se verificou na África do Sul. Não se deve construir hotel de maneira exacerbada sem o devido cuidado se esse projeto não tiver uma perenidade futura", disse Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA).

O Rio já enfrenta atualmente crise da hospedagem, por causa da Rio+20, que será realizada em junho. Hoje a região metropolitana tem apenas 609 estabelecimentos e capacidade para receber 83 mil hóspedes. Muitas das delegações da conferência terão de se hospedar no interior e na Região dos Lagos.

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