Falta de estrutura antecipa volta do litoral e lota estradas

Escassez de água encanada foi o maior problema enfrentado pelos turistas que foram às praias paulistas

Rejane Lima e Simone Menocchi ,

01 de janeiro de 2008 | 20h19

Os problemas de infra-estrutura em várias cidades do litoral paulista provocaram a volta antecipada de muitos turistas para a capital nesta terça-feira, provocando congestionamentos maiores que os normalmente registrado no primeiro dia do ano nas estradas. Dos quase 600 mil veículos que viajaram para o litoral no feriado de réveillon, a maior parte deles já havia retornado para São Paulo.  A falta de água foi o principal problema para muitos turistas. As praias do litoral sul, como Praia Grande, Santos e Guarujá foram as mais atingidas, mas cidades do litoral norte também enfretaram o mesmo problema. Os mais prejudicados no retorno para casa foram os turistas que passaram a virada do ano no litoral sul. No trecho da Baixada, da rodovia dos Imigrantes, o tráfego foi lento na altura de São Vicente durante todo o dia. Às 18 horas, em São Vicente, havia lentidão entre os km 70 e 65 da Imigrantes e entre o km 292 e o 285 da rodovia Padre Manoel da Nóbrega.  No litoral norte, quem saiu mais cedo demorou até três horas para percorrer os 90 km da Rodovia dos Tamoios. O mesmo percurso em dias normais é feito em uma hora e 15 minutos. Entre Ubatuba e Caraguatatuba a viagem, normalmente feita em 50 minutos, chegou a demorar quatro horas. Além da falta de água encanada, houve problema de abastecimento de vários protudos, como água engarrafada e gelo, além de lotação em estabelecimentos comerciais.  O mecânico de manutenção José Francisco Silva, de 44 anos, veio com a família de Diadema para passar o feriado no Boqueirão, na Praia Grande. Com a esposa e cinco filhos, sendo três crianças, Silva afirma que sempre aluga um apartamento para passar uns dias na praia durante o verão. "Todo ano falta um pouco d'água, mas esse ano a gente chegou no dia 31 e a torneira já estava seca". Com isso, a família retornou para casa já nesse dia primeiro. "A gente compra água de galão para beber e fazer comida, mas com criança não dá para ficar sem água na torneira", completa. Funcionária de uma distribuidora de água na Vila Tupy, Michele Fudimoto, de 26 anos, confirma que a saída de galões de água mineral é muito grande: foram vendidos cerca de 200 galões por dia e a loja precisou encomendar mais em São Paulo já na segunda-feira. "O pessoal comprou para tudo, cozinhar, tomar banho".Ao mesmo tempo que comemora o movimento, a comerciante Lourdes Oliveira, de 37 anos, reclama dos problemas causados pela falta de estrutura para receber tantos turistas. "Gelo a gente não encontra mais, está um calor tão grande que não está gelando nada e perdi todos os meus sorvetes. A gente também não consegue ir ao mercado que sempre está lotado". Dona de uma banca no calçadão da praia do Boqueirão, Lourdes afirma que nunca viu a cidade tão lotada. "Tem muito mais gente que no ano passado, acho que umas três vezes mais". Segundo o secretário de Turismo de Praia Grande, José Alonso Jr., o movimento da cidade foi mesmo maior que o esperado, cerca de 25% superior ao do réveillon anterior. Na virada de 2006 para 2007, a cidade somou 1 milhão de pessoas. Este ano, estimativas preliminares da prefeitura acreditam que só em turistas, Praia Grande tenha recebido 1,3 milhão de pessoas, fora a população residente, de 245 mil. O secretário afirma que o congestionamento acontece porque Praia Grande é a passagem de outras cidades e que embora os turistas cheguem aos poucos, grande parte deles retorna no mesmo dia. "Não adianta construir uma segunda pista da Imigrantes e não melhorar aqui em baixo, quando afunila tudo", afirma. Alonso lamenta que até problemas fora do controle das autarquias tenham atingido a cidade nesse fim de ano. "Nós não temos culpa que as águas-vivas estavam aqui, o problema não foi água suja, porque água-viva só vem para a água limpa, o problema foi que a água estava quente, e as temperaturas subiram sete, nove graus acima do esperado e chegaram a 40 graus". Ele afirma que telefonou aos postos de informação turística e pediu que os atendentes informassem aos banhistas sobre as ocorrências dos animais nas praias. "Nós temos que estar preparados porque 70% da cidade vive em função do turismo. Nós treinamos quiosqueiros e orientamos os policiais da Operação Verão para orientarem os turistas". Sobre a falta d'água, o secretário afirma que já estão sendo tomadas as providências junto a Sabesp para que os problemas não se repitam, mas acredita que as obras planejadas para 2008 suprirão a deficiência do abastecimento na temporada. "Agora as pessoas tem que ter mais consciência. Eu vi uma família tomando banho de mangueira e lavando o carro e tem muita casa com caixa d'água pequena e por isso que falta água". No litoral norte, o problema da flata de água atingiu alguns bairros de Ubatuba, Caraguatatuba e São Sebastião. "Minha irmã, que estava no bairro Palmeiras, em Caraguatatuba, teve de tomar banho com água mineral, senão passaria a festa da virada sem tomar banho", contou a comerciante Ilma de Lima, que trabalha em um posto de combustível. "Aqui não faltou gasolina, mas água potável." A escassez das garrafinhas de água foi constatada em todo o litoral norte. Em Ubatuba, cerca de dez distribuidoras de água não tinham mais o produto na segunda-feira.  O pior problema de falta d’água foi em São Sebastião. O consumo de água pulou de 100 litros por segundo para 195. Os moradores de Topolândia e Olaria, na parte alta do município, ficaram sem água. A Sabesp tentou resolver o problema com oito caminhões-pipa. Em Caraguatatuba, o rompimento em uma adutora deixou os os bairros Porto Novo, Perequê Mirim, Morro do Algodão e Palmeiras sem água.

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