Falta de coordenação prejudica resgate de vítimas e distribuição de donativos

No domingo, doações feitas para vítimas da tragédia na região serrana do Rio permaneciam a céu aberto e mal protegidas da chuva em Teresópolis; número de mortos chegou a 641

O Estado de S. Paulo, O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2011 | 00h00

RIO/TERESÓPOLIS - A falta de organização fez com que doações para vítimas da tragédia no Rio permanecessem, até a manhã de ontem, entulhadas a céu aberto e mal protegidas da chuva persistente em Teresópolis. Enquanto isso, várias aeronaves, incluindo cinco do Exército e outras comandadas pela Força Nacional, estavam paradas no campo da Granja Comary, transformado em base aérea das operações de resgate. Local de treinamentos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o campo virou depósito de água, comida, material de higiene e roupas.

 

A Polícia Civil do Rio informou na manhã desta segunda-feira, 17, que 641 corpos já foram resgatados na região serrana do Rio. De acordo com o último relatório da instituição divulgado hoje, foram resgatados 217 corpos em Teresópolis, 292 em Nova Friburgo, 55 em Itaipava (distrito de Petrópolis), 19 em Sumidouro e 4 em São José do Vale do Rio Preto.

 

Veja também:

linkGoverno brasileiro admite à ONU despreparo em tragédias

linkPapa pede força aos desabrigados das enchentes no Brasil

linkPosto de doação de Petrópolis tem capacidade esgotada   

linkSaiba como fazer doações para a região serrana do Rio

 

Helicópteros. Para justificar os helicópteros parados, autoridades do Exército culparam as péssimas condições meteorológicas. Mas helicópteros da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros voaram à vontade, ignorando a chuva que caiu ontem de manhã. Comandado pelo experiente piloto Adonis Oliveira, da tropa de elite da polícia, o Caveirão da Polícia Civil fez dois voos para levar mantimentos a pessoas isoladas em Santa Rita e Santana, resgatar idosos e transportar médico, enfermeiros e remédios.

 

No início da tarde, partiu para mais uma missão, carregado de comida, água, remédios e óleo diesel para geradores. Enquanto isso, das cinco aeronaves do Exército, duas só alçaram voo no início da tarde para levar um médico da polícia à Vila Salamaco e resgatar uma jovem doente mental.

Os próprios soldados comentavam na Granja Comary o absurdo de os helicópteros permanecerem parados. Segundo um deles, uma das aeronaves grandes estava havia dois dias sem voar, com toda a tripulação à disposição. Quem também reclamava muito era o engenheiro Antônio José Fusco, de 42 anos, morador da granja. "É inacreditável ver esses helicópteros parados quando há tanta coisa para carregar."

 

Segundo o capitão Eric Lessa, o helicóptero Esquilo até tentou ajudar a Cruz Vermelha, mapeando estradas e descobrindo comunidades isoladas, mas a missão não foi concluída por causa do mau tempo. Em sua contabilidade, no sábado o Exército resgatou 65 pessoas e transportou 700 litros de água, 200 de combustível, 200 de leite, além de 20 cestas básicas e 30 quentinhas. Ontem o Exército disponibilizou o telefone (21) 2742-7351 e o e-mail copserraeb@gmail.com para quem souber de vítimas que precisam de socorro aéreo.

Para tentar agilizar os resgates, à tarde o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general José Elito, anunciou a criação do Centro de Coordenação Operacional em Teresópolis. Ninguém mais poderá decolar para a cidade sem autorização do Centro, que será coordenado pela prefeitura. Ex-comandante das Forças Armadas no Haiti, ele ressaltou que o trabalho pode durar meses e é preciso cooperação de todos os setores, incluindo das empresas de água e luz. A Petrobrás vai fornecer combustíveis às aeronaves de Teresópolis e Nova Friburgo.

 

(Com Marcelo Auler e Pedro Dantas)

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.