Pedro Gil / Prefeitura de São Pedro
Pedro Gil / Prefeitura de São Pedro

Falta de chuva faz interior paulista ter problemas de abastecimento

Seca afeta até cidades grandes, como Ribeirão Preto; precipitação no Estado deve voltar com a chegada da primavera

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2017 | 03h00

SOROCABA - A falta de chuvas, agravada pelo calor, já compromete o abastecimento em ao menos dez cidades do interior de São Paulo. Até em municípios grandes, como Ribeirão Preto, moradores sofrem com falta de água. Hoje começa a primavera e, de acordo com meteorologistas, a estação deve ser chuvosa no Estado.

A maior parte do interior está sem chuva intensa há dois meses, mas há regiões onde não chove há 90 dias. Já há racionamento em pelo menos cinco cidades - Caconde, Santa Cruz das Palmeiras, Casa Branca, São Pedro e Águas de Lindoia. Em outras - Iracemápolis, Aguaí, Ribeirão Preto, Brodowski e Jaguariúna - há restrição no consumo e bairros com falta de água. 

Em Ribeirão Preto, a Lagoa do Saibro, uma das principais áreas de recarga do Aquífero Guarani, foi afetada. “Nunca secou desse jeito e o pouco de peixe que ainda tem está morrendo. Tem até caranguejo morto”, conta o pescador Sebastião Leonel, de 62 anos, que frequenta o local há 26 anos.

Em alguns bairros da cidade, moradores chegam a ficar dias sem água. “Tivemos de comprar galões, pois a água só chega de madrugada. Isso quando chega”, reclama a comerciante Angela Ferraz. O Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto, que lançou campanha para economia, informou que o consumo local está 22% acima da média nacional. A falta de água, diz o órgão, acontece pontualmente e, quando ocorre, moradores são atendidos por caminhões-pipa.

Caconde, além do racionamento, decretou estado de emergência. O volume de água que chega à estação de tratamento, de 4,5 mil m³ por dia, é a metade do necessário. O decreto permite contratar obras emergenciais sem licitação. A distribuição é interrompida às 22 horas e retomada só às 8 horas. Lava-rápidos e postos de combustível poderão gastar só uma cota de 30 m³ de água por mês. Indústrias e comércio também terão consumo controlado. Moradores estão proibidos de lavar calçadas ou veículos nas ruas - a multa pode chegar a R$ 562.

No dia 13, Santa Cruz das Palmeiras também adotou o racionamento. A distribuição é suspensa segundas, quartas, sextas e sábados, das 6 às 17 horas. A lavagem de quintais e áreas externas das casas pode ser feita só às quintas-feiras. Em outros dias, o morador fica sujeito à multa de R$ 1.076. 

“Não podemos ficar sem água, por isso instalamos mais caixas (reservatórios). Assim a gente consegue trabalhar mesmo nos dias em que ficamos sem abastecimento”, disse Gustavo Mazoti, de uma família proprietária de restaurante. Entre 2014 e 2015, o Estado viveu uma das mais graves crises de sua história, o que levou ao racionamento de água em algumas cidades. 

Previsão. Ao longo da primavera, a previsão é de que as temperaturas subam e se formem as condições para mais precipitação. “A chuva volta a se espalhar em grande parte do Brasil e as massas polares vão ficando cada vez mais fracas. O ar seco deixa de ser notícia”, afirma o meteorologista da Climatempo Alexandre Nascimento.

A aproximação de uma frente fria no Estado, no domingo, deve aumentar a chance de chuva em sudoeste, sul e leste de São Paulo.

/COLABOROU JULIA MARQUES

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