Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Falta d’água já atinge 1 em cada 4 distritos da capital paulista

Há queixas em todas as regiões; algumas relatam desabastecimento pela primeira vez no ano; Sabesp fala em ‘processo de normalização’

O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2014 | 03h00

Atualizado às 10h25

SÃO PAULO - Pelo menos um em cada quatro distritos da capital paulista já registra falta d’água. É o que mostra um levantamento feito pelo Estado nesta semana, com base em visitas e queixas da população. A reportagem constatou desabastecimento em parte de 26 dos 96 distritos de São Paulo. O número de bairros com reclamações passa de 30 e alguns relataram desabastecimento pela primeira vez no ano.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) afirmou, em nota oficial, que o abastecimento de água “já está em processo de normalização”. “As altas temperaturas e a baixa umidade do ar (nível desértico), aliadas à redução na disponibilidade de água, provocaram uma série de problemas de abastecimento. A seca histórica, com temperaturas recordes, levou à redução dos níveis dos reservatórios e à consequente limitação de retirada da água imposta pela ANA”, continua o texto. 


A Sabesp ainda alega “possibilidades limitadas de operação, o que fica mais patente em horários de pico, dias muito quentes e quando há problemas técnicos no sistema, como o que ocorreu no Reservatório Campo Belo, que afetou boa parte da região sul no início da semana”.

Queixas pelo 2º dia seguido em todas as regiões. Pelo segundo dia seguido, moradores que não haviam sido afetados pela falta d’água passaram a conviver com torneiras vazias. Bairros como Barra Funda, Brasilândia, Consolação, Cidade Dutra, Morumbi, Campo Belo e Itaquera já colecionam reclamações. Houve problemas sobretudo nas zonas norte e sul, por causa de “acidentes no fornecimento”, segundo a Sabesp.

Nesta quarta-feira, 15, as torneiras que usam água da rua da casa da educadora Paula Fernandes Camargo Fonseca, de 31 anos, só faziam barulho de ar. Ela mora na Saúde, zona sul. “Na quinta (9) e na sexta (10), não tinha água à tarde.” A Sabesp não comentou o caso.

Já nos elevadores de um edifício na Rua Antônio Carlos, próximo da Avenida Paulista, na região central, o anúncio foi feito na terça-feira, 14: “é preciso economizar água”. A Tecad, imobiliária que administra o condomínio, disse que está fazendo um racionamento preventivo.

Procurada, a Sabesp informou que houve um rompimento de tubulação na Rua Doutor Fausto Ferraz, na Bela Vista, a 1,5 quilômetro do edifício. E isso poderia ser a causa da pouca quantidade de água.

Segundo o superintendente de produção de água da Região Metropolitana de São Paulo, Marco Antônio Lopes Barros, essa situação do Campo Belo e também o rompimento de uma tubulação na região da Avenida Paulista foram resolvidos rapidamente, mas o alto consumo e a limitação de retirada de água tornam bem mais lenta a normalização dos sistemas.

“Mas os moradores terão o abastecimento regularizado nos próximos dias”, afirmou Lopes Barros.

Quando a água falta nas torneiras, a preocupação da dona de casa Seuma Tenório, de 54 anos, é uma só: a filha, Denise Pires, de 26, que tem paralisia cerebral. Com uma lesão no cérebro, Denise sofre convulsões constantemente, que podem até provocar refluxo. “Se vomitar, não vou ter como limpar”, diz a mãe.

Seuma mora na Vila Espanhola, na zona norte de São Paulo, um dos dez bairros afetados por uma obra emergencial da Sabesp nesta quarta-feira. De acordo com a companhia, cerca de 20 mil pessoas tiveram o abastecimento prejudicado para que uma válvula fosse trocada na Rua Antonio Pereira Souza, em Santana.

Em relação a outros bairros com problemas nas regiões central, leste e oeste, a Sabesp não deu informações ontem. Na terça-feira, em nota oficial, admitiu a possibilidade de falhas em “alguns pontos altos e distantes”.

Branca. Há quem relate problemas mais antigos. A copeira Sandra Andrade Barbosa, de 46 anos, sofre com a falta de água há “pelo menos três meses”. Ela mora na Rua Virajuba, na Brasilândia, zona norte. “Quem não tem caixa tem de se virar com baldes”, afirma.

Já o supervisor de operações Márcio Garrutti, de 26 anos, morador de Itaquera, zona leste, afirmou que há um mês o problema se intensificou e passou a ser registrado quase todos os dias. E quando a água começa a chegar, de manhã, vem esbranquiçada, o que impede o uso normal. “Isso afeta nossa qualidade de vida.”

O mesmo ocorre no Rio Pequeno, zona oeste, segundo o administrador de empresas Manoel Fernandes, de 39 anos. /PAULA FELIX, FELIPE RESK, MÔNICA REOLOM, JULIA AFFONSO E MARCO ANTÔNIO CARVALHO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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