Falta d’água castiga turista no litoral de São Paulo

Praia Grande, São Sebastião, Caraguatatuba, Ubatuba e Guarujá, são afetados; Sabesp responsabiliza consumo

Rejane Lima, O Estado de S. Paulo

01 de janeiro de 2008 | 09h22

Praia Grande, São Sebastião, Caraguatatuba e Ubatuba estão enfrentando problemas de abastecimento de água nesse feriado de ano-novo.   A publicitária Tatiany Pedroza, de 22 anos, que chegou em Praia Grande na sexta-feira para passar a virada de ano com um grupo de amigas em um apartamento na Vila Tupy, já decidiu antecipar do dia 6 para o dia 2 a volta para a capital, onde mora.   Ela e as três amigas, moradoras do Tatuapé, foram flagradas tomando banho de biquíni na frente de uma distribuidora de água, onde compraram dois galões de 20 litros por R$ 5,50 cada, quantidade gasta no banho das quatro jovens, com direito a sabonete e xampu. "Liguei para uma amiga que está no Boqueirão e outra na Vila Caiçara e perguntei se a gente poderia tomar banho lá, mas não teve jeito, pois está faltando água lá também", explica.   No bairro vizinho, Ocian, a família Gobetti afirma que o problema no abastecimento acontece todos os anos, mas que neste feriado as coisas pioraram. "No ano passado, a caixa enchia à noite; neste ano, não, porque parece que a cidade está bem mais cheia", diz a promotora de vendas Luciana Gobetti, de 25 anos, que viajou de Osasco para a Praia Grande com outras seis pessoas. Todos se hospedaram na casa da mãe, onde normalmente vive apenas um casal.   A justificativa da Sabesp para a falta d’água em Praia Grande é justamente essa: muita gente em pouco espaço. Com cerca de 200 mil habitantes, a população de Praia Grande quintuplica em feriados como o de réveillon. A Sabesp ampliou a produção de 7 mil litros por segundo para 9 mil, mas a quantidade não tem sido suficiente.   A Sabesp afirma que há problemas de falta d’água e baixa pressão nas torneiras nos bairros Vila Tupiry, Solemar, Guilhermina, Tupi e Ocian. Mas, além desses, a reportagem ouviu reclamações similares de turistas do Forte, Boqueirão e Aviação. Em Guarujá, houve reclamações parecidas na Enseada e em alguns bairros de Vicente de Carvalho.   No litoral norte, o consumo excessivo de água de mais de 1 milhão de turistas também provocou desabastecimento em alguns bairros de São Sebastião, Caraguatatuba e Ubatuba. Foram só os visitantes começarem a chegar e os mil moradores do bairro Topolândia, em São Sebastião, já começaram a ver a escassez de água nas torneiras, desde o dia 28 de dezembro. No bairro, localizado na parte alta da costa norte de São Sebastião, cerca de mil moradores estão sem água.   De acordo com a Sabesp, o problema foi causado pelo grande volume de turistas na cidade associado ao forte calor. "A alta temperatura também contribui para o aumento do consumo", informou o superintendente da Sabesp no litoral norte, Felipe Oliveira Costa.   Também foi registrada falta de água em Caraguatatuba, nos bairros Massaguaçu e Palmeiras, mas segundo a Sabesp, foram pontuais e resolvidos no mesmo dia. Em Ubatuba, os turistas de Maranduba também enfrentam pouca água, que vai e volta em algumas horas do dia.   Águas-viva   Começa a cair o número de pessoas feridas pelo contato com águas-viva em Praia Grande. Até às 15h30 de ontem, os prontos-socorros do balneário não haviam realizado nenhum atendimento. Desde quinta-feira até a noite de domingo, houve 273 casos de pessoas machucadas pelo contato com a espécie.   Em Mongaguá, os três PSs registraram 477 atendimentos, de quinta-feira até 17h30 de ontem, sendo que 40 dessas vítimas eram turistas de Praia Grande que se dirigiram ao Pronto-Socorro de Mongaguá, por estarem mais próximos.   (COLABOROU SIMONE MENOCCHI)

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