Falta 'meio Cantareira' para recuperar aquíferos do PCJ

Estudos recentes de geólogos sobre a água subterrânea na região indicaram um rebaixamento médio de 50 metros do lençol freático

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

17 Dezembro 2015 | 17h12

SOROCABA - As chuvas acima da média que caem no interior de São Paulo não foram suficientes para recompor os aquíferos nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), que abastecem a Região Metropolitana de Campinas, interior de São Paulo. Estudo do Consórcio PCJ indicou que os aquíferos profundos têm um rebaixamento de 50 metros em razão da estiagem de 2014. 

"Temos de recarregar meio Cantareira no subsolo da região", disse o secretário executivo Francisco Carlos Lahóz, referindo-se ao sistema de represas que abastece grande parte da Região Metropolitana de São Paulo. 

Estudos recentes de geólogos sobre a água subterrânea na região indicaram um rebaixamento médio de 50 metros do lençol freático. A entidade utilizou os dados para calcular a defasagem no volume do aquífero na área total das bacias, que é superior a 15 mil km2 e abrange 75 cidades. "Estamos falando de profundidades acima de 200 metros, onde estão localizados os principais aquíferos, razão pela qual necessitamos de no mínimo cinco verões chuvosos para sua recarga plena", disse Lahóz. Se não houver a recarga, a região ficará sujeita a novos períodos de falta de água, segundo ele.

Para o executivo do consórcio, as vazões altas nos rios verificadas desde a segunda quinzena de novembro merecem comemoração diante da crise hídrica entre 2014 e 2015. As chuvas deste ano estão 17% acima da média na região, enquanto em 2014 ficaram 50% abaixo da média. Este mês, o Rio Piracicaba registra vazão média de 165 metros cúbicos por segundo, mais que o dobro de dezembro passado.

Lahóz alerta que, sem a construção de reservatórios, bacias de retenção, cisternas e valas de infiltração para a recarga dos poços profundos, 80% dessa vazão seguirão para a Bacia do Prata, na Argentina, que recebe as águas do PCJ, não recompondo o lençol freático. "Essa situação, na próxima estiagem que se iniciará em abril de 2016, pode provocar novamente baixas vazões e estado de calamidade pela escassez hídrica", disse.

Fim de rodízio. Depois de 22 meses, os moradores de Valinhos, na região do PCJ, deixaram de conviver com o rodízio no abastecimento, nesta quinta-feira, 17. Partes alternadas da cidade ficavam sem água das 10 horas às 4 da manhã seguinte. De acordo com o Departamento de Água, a suspensão se deve à ampliação de 11% na capacidade de tratamento de água. Durante o racionamento, a cidade economizou 2,1 bilhões de litros, equivalente a dois meses de abastecimento.

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