Falsos policiais torturavam vítima com ferro quente

Quadrilha é investigada por 4 assaltos, dois deles em Perdizes. Nas ações, bandidos usavam carro que era clonado da PM

William Cardoso, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2011 | 00h00

Uma quadrilha que agia disfarçada de polícia para assaltar e torturar suas vítimas foi presa na segunda-feira na zona leste da capital. Passando-se por policiais civis cumprindo mandados de prisão, os bandidos usavam ferro quente e choques elétricos para conseguir informações sobre bens e dinheiro.

Com os criminosos, a polícia encontrou documentos falsos, distintivos, algemas plásticas, armas, uma máquina de dar choques e bigodes e cavanhaques postiços usados no disfarce.

Nos assaltos, a quadrilha usava um Siena prata com placas clonadas de um carro do serviço reservado da Polícia Militar. Também levavam uma pistola que havia sido roubada de um policial militar no dia 16 de junho, na região de Santo Amaro, zona sul da capital.

Foram presos o comerciante Charles Leme, de 27 anos, o técnico em telecomunicações Edson Novais Monteiro de Lima, de 25, o motoboy Renato Leonardo Oliveira, de 29, e o técnico Wesley Klettinguer Pereira, de 33. Todos os criminosos identificados até o momento já tinham passagem pela polícia. Eles foram indiciados agora por roubo e formação de quadrilha. Pelo menos dois dos detidos seriam parentes de policiais.

A polícia investiga a atuação dos falsos policiais em quatro crimes cometidos nos últimos meses. Em um assalto no dia 16 de junho, em apartamento na Rua Antônio de Godói, nos Campos Elísios, a vítima foi um comerciante de 49 anos, que acabou torturado pelos criminosos.

Para chegar ao interior do apartamento, os falsos policiais afirmaram ao porteiro do prédio que cumpririam um mandado de busca e apreensão. Mostraram o documento falso e conseguiram entrar sem dificuldade. "Se por acaso houvesse algum tipo de resistência, eles certamente usariam a força", afirmou o delegado Fábio Dal Mas, da 2.ª Delegacia de Repressão a Roubo de Cargas do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic).

No momento do assalto, o comerciante estava sozinho em casa. Levaram R$ 1,5 mil em dinheiro, um aparelho de som, uma aliança e um celular. "Provavelmente eles erraram o alvo, tanto que torturaram a vítima, para ver se arrancavam alguma informação sobre algo que ela, na verdade, não tinha", disse Dal Mas.

Casos. Segundo o delegado, há outros três casos onde a quadrilha foi reconhecida como responsável pelos assaltos, dois deles em Perdizes, na zona oeste. Entre as vítimas há um gerente de banco. A investigação continua e Dal Mas diz que não há indícios, por enquanto, de envolvimento de policiais. O advogado dos suspeitos não foi encontrado para comentar.

Suspeita

Os crimes foram denunciados às Corregedorias das Polícias Civil e Militar como se tivessem sido cometidos de fato por agentes, até se descobrir que se tratavam de pessoas disfarçadas.

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