Falso 'olheiro' de futebol é investigado por maus-tratos a jovens

Homem mantinha 54 adolescentes em casa em Ribeirão Preto prometendo testes; garotos sofreriam agressões

Brás Henrique, de O Estado de S. Paulo,

01 de dezembro de 2009 | 15h51

A Polícia Civil de Ribeirão Preto investiga um falso "olheiro" de garotos que querem se tornar jogadores de futebol. Ele estava com 54 adolescentes, de idades entre 12 e 15 anos, de cidades do Tocantins e do Maranhão, numa casa no bairro Ipiranga, prometendo testes nos clubes Comercial e Botafogo. A residência pequena quase não tinha estrutura para tanta gente. Até o nome verdadeiro do "olheiro" é um mistério, pois ele disse se chamar Deuseli e a polícia encontrou documentos em nome de Edson de Souza e até Edson Gonçalves.

 

Ele não ficou preso, mas está sob investigação pelos crimes de maus-tratos, negligência e estelionato, além de poder responder por falsidade ideológica e uso de documentos falsos. "Estamos averiguando o caso, pois ele usa vários nomes, mas violou o artigo do Estatuto da Criança e do Adolescente ao submeter os garotos a constrangimentos e vexames", disse a delegada Maria Beatriz Moura Campos, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

 

O caso foi registrado inicialmente como termo circunstanciado. Os adolescentes ficaram sob a tutela do Conselho Tutelar 2 em duas casas de abrigo. O falso "caça-talentos" de jogadores de futebol recebia cerca de R$ 350 das famílias de cada adolescente para custear viagem e moradia.

 

Os garotos dormiam em colchões espalhados pela casa, que está em situação precária. Ali, alguns teriam sofrido agressões e até aliciamento sexual, mas isso ainda será investigado pela Polícia Civil. A mãe de um dos garotos estava na casa como cozinheira.

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