Falsa médica de Taubaté confessa crime à polícia

Enfermeira responderá por falsidade ideológica, exercício ilegal da medicina, entre outros

Simone Menocchi, do Estado de S. Paulo,

11 de março de 2008 | 19h19

A enfermeira Cláudia Maria Gonzaga Ferreira, de 49 anos, que ganhou espaço na imprensa ao relatar ter sido vítima de um seqüestro em Taubaté, no Vale do Paraíba, decidiu contar a verdade para a polícia. O suposto seqüestro, em que os bandidos teriam cortado os pulsos dela e depois a jogado no rio Paraíba, não passou de uma simulação. A revelação foi feita domingo, 9, por Cláudia em depoimento à polícia. Ao delegado Marcelo Duarte, a ela contou que ficou desesperada quando soube que estava sendo investigada pela polícia civil de São José dos Campos por exercício ilegal da medicina. "Na clínica onde está internada ela relatou que tomou muitos remédios depois de saber que estava sendo investigada, cortou os pulsos e decidiu se jogar no rio. Depois se arrependeu, pediu socorro e inventou essa história", disse Duarte.  O suposto crime aconteceu no dia 21 de fevereiro. Um dia antes, a direção da Santa Casa de São José dos Campos a tinha denunciado por exercício ilegal da profissão, apresentação de documentos falsos, estelionato. A suposta médica atuava desde o ano passado.  O número do CRM (Conselho Regional de Medicina) apresentado pela ex-funcionária da Santa Casa, que atuava como médica do trabalho na Refinaria Henrique Lage (Petrobrás), seria de outra pessoa. Na página do CRM na internet, o registro informado por Cláudia ao hospital aparece em nome de Célia.  Outra irregularidade descoberta pela Santa Casa, que consta no inquérito policial, estaria no diploma apresentado pela profissional. Apesar de se apresentar como médica e atuar como tal, Cláudia Maria teria formação em enfermagem. Em nota oficial à imprensa, a PUC de Campinas disse que o nome de Cláudia Maria Gonzaga Ferreira "não consta da relação de alunos formados pela Faculdade de Medicina da PUC-Campinas".  À polícia de Taubaté, Cláudia vai responder por falsa comunicação de crime e terá como pena trabalhos comunitários. Já à polícia de São José dos Campos, responderá por pelo menos quatro crimes: falsidade ideológica, estelionato, apresentação de documentos falsos e exercício ilegal da medicina. Segundo a polícia, a falsa médica permanece internada em uma clínica de tratamento psiquiátrico.

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