Falhas no interior adiam e-CNH na capital

Novo sistema de emissão e renovação de carteira de habilitação, já em uso no interior, tornaria processo mais seguro, mas cidades enfrentam panes

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

20 Janeiro 2011 | 00h00

O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran) adiou pela segunda vez a criação de um sistema mais rígido para a emissão e renovação de carteira de habilitação (CNH) na capital. O principal motivo são problemas detectados no interior - onde a chamada e-CNH já está ativa. O órgão terá mais 30 dias.

O início do funcionamento da e-CNH na cidade de São Paulo estava previsto para 20 de dezembro. Mas, dias antes, o governo suspendeu a operação por 30 dias. À época, Detran e a Companhia de Processamento de Dados do Estado (Prodesp) argumentaram que dariam maior prazo de adaptação às entidades envolvidas no processo - médicos, psicólogos e autoescolas.

O sistema da e-CNH foi instalado no interior e no litoral ao longo do último ano. O objetivo é evitar fraudes e trazer mais segurança ao sistema.

O Estado apurou que pelo menos nove cidades do interior ainda enfrentam graves instabilidades. Algumas não conseguiam dar continuidade a nenhum procedimento desde novembro.

Falhas. Em Santos, as autoescolas reclamam de lentidão. "Na sexta-feira, 60 alunos assistiram aula teórica e não conseguiram cadastrar a digital", diz o dono da autoescola Rally, Luis Carlos Lucena. Instabilidades também têm sido comuns em Botucatu e Ribeirão Preto. "Há muitos processos atrasados", conta Elen Regina de Souza, da autoescola Moré, em Ribeirão.

Nas cidades de Conchas, Porangaba, Anhembi, Pereiras, Bofetes e Torre de Pedra o sistema estava totalmente paralisado até ontem. Só na autoescola de Clacir de Oliveira são 70 casos. "O problema também é com os exames médicos e psicotécnicos."

O psicólogo Denilson César Zuin, de 38 anos, não consegue incluir os exames dos candidatos no banco de dados. "Dependo dessa renda, já fiz até empréstimo." O aposentado Wanderley Zacharias, de 70 anos, fez o exame em novembro, mas parou por aí. "Estou andando sem carteira porque preciso ir ao médico em outra cidade."

O delegado José Luis Silveira Teixeira, da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Conchas - que atende outras três cidades -, diz que procurou o Detran, mas nada foi resolvido. "Esperamos resolver nesta semana, mas deve levar ao menos 30 dias para normalizar."

Para o presidente do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores no Estado, José Guedes Pereira, há falhas na forma como o sistema foi adotado, com pouco treinamento e suporte adequado. "O programa foi instalado sem uma avaliação correta." Fontes ouvidas pelo Estado afirmam que a resistência dos Ciretrans afeta o sucesso da e-CNH no interior.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Mauro Augusto Ribeiro, o grande desafio é a capital. "Quando a cidade entrar, vai piorar, naturalmente. Porque o sistema é o mesmo e ainda nem consolidou no Estado." Na cidade de São Paulo são emitidas 29% das carteiras de motorista do Estado. / COLABORARAM MÁRCIO PINHO, RENATO MACHADO e REJANE LIMA

PARA ENTENDER

No sistema e-CNH, o candidato deve solicitar seu cadastro pela internet e marcar data para comparecer ao Detran. Lá, precisa deixar dez impressões digitais, assinatura digitalizada e tirar foto. Assim, para o Detran, o controle sobre as carteiras de habilitação ficaria mais rígido. Hoje, na capital, o candidato procura uma autoescola e abre seu cadastro em um médico. Em clínicas e autoescolas é que ocorrem fraudes como o uso de dedo de silicone no controle de presença.

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