Falhas na Telefônica voltam a atingir internautas de SP

A assessoria de imprensa da empresa afirma que o serviço de banda larga Speedy já está normalizado

Gustavo Miranda, Ítalo Reis e Juliana Rocha, estadao.com.br e O Estado de S. Paulo

04 de julho de 2008 | 17h29

Mais de 24 horas depois de a Telefônica reconhecer oficialmente a pane que afetou usuários de internet de todo o Estado de São Paulo e paralisou serviços essenciais, como bancos, agências da Previdência e prefeituras de 407 municípios, alguns internautas da capital e do interior ainda enfrentam problemas para se conectar. A assessoria de imprensa da empresa afirma, no entanto, que o serviço de banda larga Speedy já está normalizado.   Veja também 'Falha no roteamento' causou pane em SP, diz Telefônica Ministro admite que transmissão da internet é 'vulnerável' Multa para a Telefonica vai depender de laudo, diz Anatel Mais de 24 h depois, Telefonica soluciona problema em SP   A informação, porém, é desmentida pela própria Central de Atendimento ao Usuário (10315) da companhia. Os usuários que ligam para a Telefônica ouvem a mesma gravação de voz que na quinta-feira informava que o "acesso ao Speedy encontra-se indisponível ou instável devido a problemas técnicos". A mesma mensagem promete que o serviço será restabelecido dentro de três horas. A instabilidade do sistema foi confirmada pelo assistente em informática César Marins, usuário do Speddy. Segundo ele, a conexão ficou lenta durante boa parte do dia. "Depois de uma hora, entre 15 e 16 horas, ficava dando erro de DNS (Domain Name System, ou Sistema de Resolução de Nomes)", afirmou.   Empresas também voltaram a ter problemas com a conexão. O gerente de Tecnologia da Informação (TI) da RW Comércio e Serviços, Wagner Oliveira, disse o sistema ficou estável, mas lento. "Pela manhã estava ruim, bem lento."  Ele explicou que na quinta, dia da pane, a conexão caiu e não voltou mais, e "quando voltava, ficava lenta". Como a empresa fica no extremo sul da capital, Taboão da Serra, Oliveira disse que a conexão já não é muito boa, e que a Telefônica não cumpre o tipo de assinatura contratada. "Nós pagamos por 2 mega(bytes), mas nunca chega a ter essa velocidade de conexão". Segundo ele, o máximo de conexão que chegou até a empresa foi de 400 kilobytes.   No interior, também houve falhas. Em Sorocaba, os cartórios e delegacias estavam com o sistemas lentos, o que provocou grandes filas no atendimento. Já no Procon da cidade, a movimentação era fraca, por conta das pessoas que pensaram que o sistema ainda não havia retornado ao normal, segundo funcionários. A estudante Júlia Yumi de Moura Shima, de 15 anos, moradora de Taubaté, reclamou da conexão nesta tarde. "Até as 17 horas, só conseguia entrar no Messenger. Outros sites como Google eu não consegui acessar. Depois dessa hora ficou normal." Ela afirmou que na quinta foi impossível acessar a internet, por conta da pane.     Problema   Em nota emitida nesta sexta, a empresa afirma que o problema teve origem em parte dos equipamentos responsáveis pelos roteadores de sua rede de dados, que atende principalmente clientes corporativos e órgãos públicos. A empresa informou que continua trabalhando para obter informações mais precisas sobre a causa da falha.   Roteadores são dispositivos responsáveis pelo envio e direcionamento do fluxo de dados pelas redes. São posicionados em gateways, ou seja, os pontos de conexão entre duas redes. Os roteadores são dimensionados conforme o número de usuários que se aproveitarão do dispositivo para se conectar à rede, como a Internet, por exemplo. Um roteador capaz de suportar 1 mil usuários, por exemplo, custa a bagatela de 10 mil dólares. Equipamentos mais robustos, para milhões de usuários, por exemplo, chegam a US$ 100 mil. Em horários de pico, só o Estado de SP chega a 5 milhões de usuários.   Existem dois grandes grupos de falhas em roteadores: as físicas e as de software. Uma falha física envolve um curto-circuito ou mal funcionamento de parte do dispositivo. Uma falha de software pode ser causada por problemas de interoperabilidade/interação entre módulos (de softwares) de diferentes fabricantes ou mesmo um erro de programação. A determinação "falha de roteamento" é muito vaga e engloba uma série de panes, tornando o comunicado na Telefonica nada esclarecedor.   Usuários mais experientes conseguiram driblar o problema mudando o número de DNS. O serviço de DNS funciona como bancos de dados responsáveis por traduzir o endereço das páginas (o www.estadao.com.br, por exemplo) em números IP (o endereço para máquina). Ao modificá-lo, usando em vez do padrão fornecido pela Telefonica, um outro de outro provedor, do UOL ou mesmo outro disponível em sites como abusar.org (Associação Brasileira dos Usuários de Acesso Rápido), o usuário conseguia desviar seu fluxo de dados para outra parte da rede, e não pelo router problemático. Servidores têm mais de um serviço DNS. É um caminho alternativo de conexão.   Funciona mais ou menos assim: ao se conectar à internet, você é um ponto tentando chegar a outro ponto. Você está num extremo do caminho e quer chegar no outro extremo. No meio desse caminho, você passa por muitas coisas que são transparentes, que seu computador desconhece, se funcionarem bem. Quando elas não funcionam, ficam opacas. É aí que você percebe que tinha pedrinhas.   Atualizado às 18 horas

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