Falhas em portas estão entre as mais frequentes

De janeiro a agosto, elas aumentaram 32% em relação ao mesmo período de 2009; frota é antiga e está no limite, dizem especialistas

Renato Machado e Eduardo Reina, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2010 | 00h00

Números do relatório de problemas nos trens da Linha 3-Vermelha apontam piora neste ano em seus sistemas mecânicos. Um dos mais afetados foi o de portas - enquanto elas não fecham adequadamente, os trens não podem sair. A média mensal de ocorrências desse tipo cresceu 32% entre janeiro e agosto, em comparação com 2009.

Os dados chamam mais atenção quando comparados mês a mês. As ocorrências com o sistema de portas quase dobraram em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado - passaram de 50 para 91. Em 20 de agosto, por exemplo, um trem andou alguns metros com as portas abertas na Estação da Sé. A causa foi uma pane no sistema de sinalização de portas do operador do trem - uma luz na cabine indicou que todas as portas estavam fechadas e ele seguiu viagem, parando a composição metros depois.

Foi também um problema nas portas a causa da pane que parou a rede do Metrô por mais de duas horas em 21 de setembro. Segundo a companhia, não por uma causa mecânica, mas sim porque uma blusa impediu o fechamento da porta.

De 1.º de janeiro a 30 de setembro, foram registrados 177 casos de portas que não fecharam, 135 que não abriram e 123 de trens que perderam a sinalização de portas. Todos esses casos provocam paralisação de trens. Em alguns deles, é preciso esvaziar os vagões para que a composição seja levada para manutenção.

Os dados de janeiro a agosto, que estão no relatório, mostram ainda que aumentaram em 44% as ocorrências com o sistema de operação automática dos trens e em 23% do sistema de freios.

A reportagem procurou o Metrô na quinta-feira e perguntou a razão do aumento nas ocorrências de problemas mecânicos. Mas a companhia não quis comentar o assunto e disse que sua posição era a mesma do mês passado, quando, após registros recorrentes de falhas, a reportagem pediu informações. Na ocasião, a empresa forneceu apenas dados relativos a falhas que causavam interrupções de mais de cinco minutos em toda a rede, sem especificar os problemas na Linha 3-Vermelha. Eles apresentavam queda no número de falhas neste ano - de 30 em 2009 para 11 até 17 de setembro deste ano. "Vale destacar que essas ocorrências não tiveram relação com o volume de passageiros transportados", disse a companhia, por meio de nota, na ocasião.

Frota. Especialistas afirmam, no entanto, que o aumento nas ocorrências se deve primeiro à idade elevada da maior parte da frota. Além disso, o Metrô de São Paulo não tem conseguido, segundo eles, "reservar" parte das composições. "São Francisco (EUA) roda com 50% dos trens reservas no horário de pico exatamente para evitar problemas no transporte de usuários caso venha a ocorrer alguma falha. Em São Paulo, a chance de isso acontecer é de zero por cento", diz um integrante do Comet - entidade que reúne companhias de Metrô de 12 metrópoles mundiais.

No relatório do ano passado da administração da companhia, no item desempenho/manutenção, o Metrô já dizia que, em 2009, "o grande desafio da área de manutenção foi conciliar suas atividades de rotina com as atividades referentes ao Expansão São Paulo, como gestão do recebimento e testes dos novos trens e sistemas".

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