Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Falhas em corredores de ônibus da capital expõem pedestres a riscos

Estudo da CET aponta série de problemas nas vias; 'Estado' visitou 8 dos 10 ramais da cidade e em todos encontrou irregularidades

BRUNO RIBEIRO, MÔNICA REOLOM, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2012 | 03h01

Principal modal de transporte da metrópole, os ônibus que trafegam pelos corredores exclusivos de São Paulo colocam diariamente pedestres em perigo. Veículos e corredores não seguem padrões de segurança estipulados por técnicos da própria Prefeitura para evitar atropelamentos. As falhas vão de problemas estruturais, como ausência de grades para ordenar o fluxo de pedestres, à falta de manutenção, como semáforos queimados.

As más condições de segurança são atestadas em um estudo realizado pela equipe da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), publicado neste mês.

O Estado percorreu oito dos dez corredores da cidade para verificar o cumprimento das recomendações - as exceções foram o Expresso Tiradentes e o Corredor Paes da Barros, ambos na zona leste. Em todas as vias exclusivas visitadas há falhas de segurança. Parte do percurso foi feita na companhia do engenheiro de trânsito Luiz Célio Bottura, ex-ombudsman da CET para a Campanha de Proteção ao Pedestre.

A necessidade de mais segurança nos corredores fica evidente ao se observar as estatísticas de morte no trânsito. No ano passado, uma pessoa morreu atropelada por ônibus a cada três dias na metrópole. Foram 109 ocorrências. Neste ano, foram 60 casos apenas nos corredores.

Os usuários do transporte público em sua rotina de deslocamentos pela cidade também são capazes de relatar os perigos apontados pela CET. "Trabalho aqui (na Estrada do M'Boi Mirim, na zona sul) e já vi duas pessoas morrerem atropeladas. O pessoal atravessa a rua no meio do trânsito parado e o ônibus acerta em cheio. Tem motorista de ônibus que anda feito louco também", diz o comerciante Antônio Dario, de 56 anos.

Atenção. O pedestre distraído é a principal vítima dos acidentes nos corredores. As orientações da CET servem para evitar que esse comportamento cause tragédias. "Já tropecei e caí na hora de atravessar a plataforma. Às vezes, a gente vê o ônibus chegando, tenta correr para não perder e acaba se distraindo. Por isso, acho que é fácil ser atropelado", diz a cozinheira Maria dos Anjos Rocha, de 41 anos.

A estrutura viária deve estar disposta de forma que o pedestre caminhe instintivamente da forma mais segura. "Se o pedestre atravessa sem prestar atenção, a chance de ele ser atingido pelo ônibus é grande. As pessoas já aprenderam a olhar moto, mas ainda não aprenderam a olhar no corredor", diz o consultor Sérgio Ejzemberg.

Como recomenda o estudo da CET, a velocidade dos ônibus é limitada a 50 km/h. A medida é questionada. "O ideal seria que a velocidade nos corredores fosse de 30 km/h, pois o ônibus tem grande potencial destrutivo", diz o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, Mauro Augusto Ribeiro.

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