Falha técnica levou à queda do voo 447

'Se não tivesse havido o problema nas sondas pitot, não teria havido o acidente', afirma presidente do órgão francês de investigação

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2011 | 00h00

O escritório francês de investigação (BEA) concluiu que uma pane técnica, que levou a uma série de ações da tripulação - possivelmente equivocadas -, levou à queda do voo 447 da Air France (Rio-Paris), em 31 de maio de 2009. "Se não tivesse havido o problema nas sondas pitot (de velocidade), não teria havido o acidente", disse ao Estado o diretor do órgão, Jean-Paul Troadec, após a divulgação do primeiro relatório sobre a tragédia que deixou 228 mortos.

O documento de quatro páginas sobre as circunstâncias técnicas em que o Airbus caiu não deixa margem para dúvidas: a responsabilidade dos equipamentos se dá porque, ao sofrer congelamento - causado possivelmente por condições meteorológicas -, um dos três sensores se desligou, enquanto outros dois passaram a informar ao sistema eletrônico de navegação do Airbus informações contraditórias. Assim, o piloto automático e o sistema de autoimpulsão foram desligados, deixando aos pilotos o comando das operações. 

   

A partir daí, as decisões da tripulação são o centro das dúvidas que persistem. Ao Estado, Troadec confirmou que os dois copilotos adotaram um comportamento fora do padrão. "O procedimento comum é reduzir a altitude do avião, inclinando o nariz do avião ligeiramente para baixo", explicou. "Queremos compreender por que os pilotos do 447 tentaram ganhar altitude, levantando o nariz do avião", observou. "Outros aviões também tiveram problemas nas sondas pitot, que foram contornados, permitindo que os voos seguissem seus trajetos até um pouso seguro. Logo, ainda há algo de diferente no caso específico do voo AF-447."

 

Empresas. Em nota oficial, a Air France reconheceu a falha das sondas e elogiou a tripulação, que lutou às escuras. "Fica estabelecido (nos diálogos) que o comandante (Marc Dubois) rapidamente interrompeu seu repouso para retornar ao posto de pilotagem. A tripulação, reunindo competências dos três pilotos, provou o profissionalismo."

A companhia afirma ainda que "o construtor (Airbus) e a companhia tomaram as medidas necessárias para evitar a repetição de tal acidente". Nesse trecho, a nota se refere à substituição das sondas pitot de marca Thales AA por modelos da marca Goodrich, o que se tornou uma determinação internacional. Por seu lado, a Airbus laconicamente disse que "o trabalho do BEA constitui um passo significativo". A empresa Thales não se pronunciou.

 

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