Jose Patricio/Estadão
Jose Patricio/Estadão

Falha no motor de helicóptero causou morte de Boechat, diz relatório da FAB sobre acidente

Documento ainda aponta que licenças da aeronave haviam passado do prazo, peças vencidas foram reinstaladas e piloto não tinha certificação para operar vôo

João Ker, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2020 | 22h07

Uma falha no motor do helicóptero foi a causa do acidente aéreo que levou à morte do jornalista Ricardo Boechat, de acordo com o relatório final elaborado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira (FAB). Segundo o documento, houve ainda uma “tentativa malsucedida de pouso” e a aeronave ficou “destruída” após colidir com um caminhão.  

O relatório aponta que a falha ocorreu por volta das 14h05, apenas 20 minutos após o vôo ter decolado do heliponto do Royal Palm Plaza, em Campinas, com destino a São Paulo. Nas imagens do sistema de segurança, é possível ver que o piloto tentou pousar na área de grama entre as duas faixas superiores do Rodoanel Mário Covas. Quando não conseguiu manobrar, ele guiou a aeronave por baixo dos viadutos, quando colidiu ainda em vôo com um caminhão. 

O piloto Ronaldo Quattrucci, de -6 anos, que também morreu no acidente, não tinha o certificado obrigatório de um programa de treinamento aprovado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O relatório também aponta que o transporte utilizado não era regular na modalidade táxi aéreo e que a empresa RQ Serviços Aéreos Especializados Ltda não estava certificada ou autorizada a prestar o serviço. 

Outro ponto citado pela FAB é a data da última revisão geral de um dos compressores, datada ainda de 1988. Durante a vistoria técnica especial, foi constatado que a peça havia sido trocada por uma mais nova durante uma avaliação feita em 2017 pela Anac, e reinstalada na aeronave menos de três meses depois, mesmo com a autorização expirada.

Na conclusão, o documento aponta seis fatores principais que contribuíram para o acidente: a atitude do piloto em não observar as ações de manutenção necessárias; a cultura organizacional das empresas envolvidas no aluguel da aeronave; a "indisciplina de vôo", cujo operador não tinha autorização ou qualificação; o "julgamento da pilotagem", ao considerar que o motor do helicóptero estava próprio para decolagem; a manutenção da aeronave; e os processos decisórios e organizacionais. 

"Houve uma ineficiência, tanto por parte do operador, quanto da organização de manutenção, no acompanhamento e na execução dos processos de manutenção", concluiu o documento. "Era de conhecimento do operador o fato de que instalar o módulo do compressor sem a realização do overhaul, bem como exceder os intervalos de troca de óleo, contrariava o programa de manutenção previsto para o motor da aeronave, tornando-a, portanto, 'não aeronavegável'."

Relembre o caso

Laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou, em fevereiro do ano passado, que o jornalista Ricardo Boechat morreu em decorrência de politraumatismo provocado pela queda do helicóptero. De acordo com o documento, o jornalista sofreu traumatismos torácico e abdominal, "caracterizando politraumatismo, com carbonização secundária".

Boechat era apresentador do Jornal da Band e da rádio BandNews FM, além de ser colunista da revista IstoÉ. Trabalhou no Estadão e, também, nos jornais O Globo e O Dia. É ganhador de três prêmios Esso e, segundo o site da Band, é um dos maiores ganhadores da história do Prêmio Comunique-se, em que foi reconhecido como âncora de rádio, âncora de televisão e colunista. Também foi eleito o jornalista mais admirado do País na pesquisa do site Jornalistas&Cia em 2014.

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