Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Falha de segurança deixa papa cercado

Ministro Gilberto Carvalho afirma que houve erro no trajeto; tranquilo, Francisco manteve janela do carro aberta e beijou criança

O Estado de S.Paulo

23 Julho 2013 | 02h00

Em sua chegada ao Brasil, o papa Francisco deparou-se com problemas típicos do Rio: falhas de planejamento, segurança confusa e até um tumultuado engarrafamento, em que o veículo que o levava da Base Aérea do Galeão ao centro - de vidros abertos - ficou perigosamente retido e cercado pela população por longos minutos.

Fiéis que queriam ver o pontífice invadiram a pista central da Avenida Presidente Vargas, perto do Centro Administrativo São Sebastião. E o veículo que levava o pontífice, para desespero dos guarda-costas, ficou prensado em uma fila de ônibus. O tumulto aparentemente nasceu de uma falha de comunicação entre Polícia Federal, que cuidou do trajeto, e prefeitura.

"Houve um erro. Só não se sabe se do batedor, da prefeitura ou da Polícia Federal", disse o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

O porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, disse que o assédio do povo deixou alguns membros da comitiva apavorados, mas não assustou o papa. "O secretário do papa, que estava sentado ao lado dele no carro, me disse que sentiu muito medo, enquanto Francisco sorria." O momento mais angustiante, segundo o porta-voz, foi quando o cortejo entrou na pista congestionada. Passado o perigo, o que restou foi a boa impressão do entusiasmo do povo, de acordo com Lombardi.

Alguns seguranças continham, com ajuda de batedores, os fiéis mais afoitos, que tentavam tocar Francisco pelo vidro aberto ou fotografá-lo de muito perto com celulares. Um guarda-costas, porém, ajudou uma criança a ser levada ao papa, que, pela janela aberta, a beijou.

"Não houve comunicação à prefeitura. Foi uma decisão da Polícia Federal e não sabíamos sequer se o papa iria de helicóptero ou de carro", afirmou o secretário municipal de Transportes, Carlos Osório, em entrevista à GloboNews. Em conversa com o Estado, ele explicou que havia uma pista lateral reservada para a comitiva passar.

"A decisão sobre o trajeto do papa, como o de qualquer dignitário que visita o Brasil, é de competência exclusiva da PF. A decisão foi tomada ou pela PF ou pela comitiva do papa. A rota ficou mantida em sigilo por uma questão de segurança. Os órgãos de segurança tomaram a decisão. Não sabíamos que o papa iria fazer aquele roteiro." Ele insistiu que a via estava aberta. "Não posso dizer que houve erro, mas uma decisão."

Já na saída da Base Aérea houve quebra do protocolo. Depois de desembarcar, o papa foi orientado pela presidente Dilma Rousseff a seguir as instruções dos seguranças, mas preferiu entrar sozinho no carro - um Fiat Idea comum, prata, sem vidros escuros - e manteve as janelas abertas.

Àquela altura, a Estrada do Galeão estava cheia de fiéis ansiosos para ver Francisco. Quando o portão foi aberto, os fiéis tomaram uma das pistas para se aproximar da comitiva. Apesar disso, não houve tumulto.

Copiloto. O avião pousou na Base Aérea do Galeão às 15h43. Conforme informou depois o porta-voz do Vaticano, nos últimos 15 minutos do voo o papa viajou na cabine do piloto. "Ficamos com um pouco de medo, pois não sabíamos se o papa estava exatamente pilotando o avião", brincou Lombardi.

Às 16h03, a porta se abriu e Francisco desceu a escadaria. Ao pé da escada, Dilma Rousseff já o esperava. Depois de passar por duas fileiras de militares que lhe prestaram continência, Francisco iniciou os cumprimentos às autoridades. / ANTONIO PITA, JAMIL CHADE, JOSÉ MARIA MAYRINK, LUCIANA NUNES LEAL, LEONÊNCIO NOSSA, MARCELO GOMES, NATALY COSTA, VINICIUS NEDER e WILSON TOSTA

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