'Falaram que teria trabalho, mas o Brasil não é fácil'

"Vim porque falaram que aqui conseguiria trabalho, mas o Brasil não é fácil." Quem diz isso é Micheli Jean, de 21 anos. Grávida, ela chegou há três meses com o marido. Os dois moram no centro, em casa com "muita gente". Sem trabalho, os dois não sabem como vão pagar a passagem aérea de US$ 3 mil até o Peru, além das viagens de carro e ônibus a São Paulo. Como a maioria dos haitianos, Micheli veio pelo norte: entrou por Tabatinga (AM) e passou dias em Manaus. "Talvez volte para lá. Cidade pequena é melhor", diz. "As pessoas aqui não gostam de haitiano. Bato na porta pedindo trabalho e falam: 'Grávida não, haitiano não!'."

O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2012 | 03h05

Ela e John Charles, de 25 anos, costumam passar a manhã na Pastoral do Migrante. John entrou no País pela Argentina em setembro e foi morar em Porto Alegre, onde arrumou bico na construção civil. "Me pagaram R$ 745 por mês. Muito pouco." Há 15 dias, veio de ônibus a São Paulo porque aqui, disseram, conseguiria salário melhor. "Mas é mentira. Vamos na agência de emprego todo dia. Quando tem, é para ganhar pouco, R$ 400. Você sabe quanto é o aluguel de um quarto? Seis, zero, zero", diz, soletrando R$ 600.

Mais otimista, Thelor Yvoy, de 37, pensa em trazer a família, alugar casa, colocar os filhos na escola. "O Brasil é muito bom. São Paulo é muito bom."

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