Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Faixas reduzem tempo de viagem de ônibus em 40 minutos, aponta CET

Velocidade média dos coletivos nessas vias é de 20,5 km/h, segundo cálculos da companhia

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

19 Dezembro 2014 | 12h39





Atualizada às 23h07

SÃO PAULO - A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) calculou que as faixas exclusivas para ônibus implementadas neste ano reduziram as viagens dos passageiros em 40 minutos por dia. A amostragem anual considerou os 65,7 quilômetros distribuídos em 81 trechos criados em 2014. Já a lentidão média em toda a cidade aumentou - foi de 142 km para 146 km. 

A velocidade média dos coletivos nestas vias, segundo a CET, ficou em 20,5 km/h - ante 20,3 km/h em 2013. Antes das faixas, a média de velocidade nas vias era de 12,2 km/h. Os dados são de janeiro até 31 de outubro.

A maior diferença foi registrada na Ponte do Jaguaré, zona oeste de São Paulo, que teve aumento de velocidade de 10,8 km/h para 44,9 km/h - alta de 317,3%. No primeiro trecho da faixa exclusiva na Avenida Belmira Marin, na zona sul, o ganho foi de 165,7% - a velocidade média foi de 9,5 km/h para 25,2km/h. Os cálculos foram feitos uma semana antes da instalação das faixas exclusivas e ao longo da primeira semana em que o trecho foi ativado. 

O ritmo de aumento da lentidão na cidade, aponta a CET, tem caído a cada ano. Enquanto entre 2011 e 2012 houve alta de 14,8%, entre 2013 e 2014 a elevação foi de 2,8%. Para o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, a tendência é zerar o indicador. “Se continuar nessa tendência, no ano que vem estabiliza”, disse. 

Tatto disse que é falsa a ideia de que as medidas tomadas pela gestão Fernando Haddad (PT) no trânsito tenham aumentado a lentidão geral. “Toda essa ‘gritaria’ de que faixa exclusiva e ciclovia estão atrapalhando a mobilidade na cidade não é verdadeira. (A lentidão) não está aumentando tanto quanto se imaginava.”

Para o secretário, embora haja prioridade ao transporte público, o trânsito também tem fluído para os carros. “Fazemos intervenções e obras que melhoram a velocidade como um todo, por isso que a piora na lentidão não tem subido tanto, mesmo entrando carro todos os dias na cidade”, diz Tatto.

Cobradores. Mesmo com a aprovação do projeto que derruba a obrigatoriedade de ônibus circularem com cobradores em São Paulo, Tatto diz acreditar que a profissão não será extinta. “Eu considero que é importante ter o cobrador, mas não em todas as linhas”, afirma. 

Ele diz ainda que não haverá demissões, uma vez que a rotatividade é grande no setor. A secretaria também está regulamentando um projeto, já aprovado na Câmara, que poderá qualificar cobradores para que possam trabalhar como motoristas ou em outras funções. 

O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss), Francisco Christovam, afirma que o tema está em discussão há “bastante tempo” e não haverá demissões. “Vamos montar um projeto de aproveitamento da mão de obra. São pessoas que já conhecem o ambiente de garagem, como funciona a operação de uma linha”, explica. 

Os cobradores poderiam ser transferidos para funções como agentes de operação ou mesmo na administração, caso tenham formação. Para Christovam, a medida, que é “natural”, trará eficiência e economia ao transporte público. “Não necessariamente todos vão querer ficar.”

O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de São Paulo (Sindmotoristas) não se posicionou. A entidade está em recesso e retomará as atividades no dia 5.

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