Comércio se adapta e já há concorrência de 'food bike' na via

Ciclovia fez com que rede de hotel passasse a alugar bicicletaselétricas para os hóspedes; há quem ache que faixa 'atrapalha'

RAFAEL ITALIANI, O Estado de S.Paulo

28 Junho 2015 | 02h33

A ciclovia da Avenida Paulista já mudou o comportamento de parte dos setores de comércio, serviços e de novos ciclistas. Prevendo um reflexo no turismo, três unidades do Hotel Ibis das Avenidas Paulista e 9 de Julho e da Rua Vergueiro vão oferecer bicicletas elétricas aos hóspedes.

Segundo a rede de hotéis, a partir de quarta-feira, serão cinco veículos em cada uma das unidades, com a possibilidade de aumentar para 20 a oferta das bicicletas para cada um dos hotéis. O custo para os hóspedes será de R$ 13 por hora. Além das bikes, a rede também vai fornecer capacete e travas.

Novos empreendedores também pretendem tirar proveito da nova ciclovia da cidade. O empresário Danilo Tanaka, de 36 anos, largou a estabilidade do emprego em uma editora para virar um pequeno empresário. Como não tinha dinheiro suficiente para comprar um food truck, investiu R$ 30 mil em uma "food bike".

"Espero que a ciclovia ajude no negócio, porque, com certeza, o movimento de ciclistas e turistas vai aumentar na região", afirmou Tanaka, que tem autorização da Prefeitura para ficar em uma calçada na Avenida Paulista, onde está desde dezembro do ano passado.

Hoje, ele vende 200 hambúrgueres por dia. O preço dos lanches varia entre R$ 14 e R$ 18. O empresário morava no Bresser, na zona leste, mas como conseguiu a autorização para trabalhar na avenida, se mudou para a Rua São Carlos do Pinhal, atrás da Paulista, e todos os dias pedala a "food bike" do apartamento até o local.

Nos últimos dias, ele precisou ir atrás de uma autorização especial para conseguir trabalhar na Avenida Paulista durante a inauguração da ciclovia, porque a Prefeitura não permite que ele trabalhe aos domingos no local.

A designer Flávia Couto, de 34 anos, e o jornalista Felipe Moraes, de 38, vão oferecer, hoje, bolinhos de polvo e de shimeji em porções de seis unidades por R$ 12 na Takobike. "Aproveitamos esse momento em que as pessoas querem sair às ruas. Esse contexto ajudou na decisão pela 'food bike'."

Rotina. O fotógrafo Régis Filho, de 60 anos, vendeu um dos dois carros no ano passado para "forçar" um novo hábito em sua vida: o de usar a bicicleta para trabalhar. "Procuro andar só nas ciclovias. Conforme elas vão se expandido e se estiverem perto do local de trabalho, vou de bicicleta."

Ele adquiriu o hábito há cerca de dois anos, nas ciclofaixas montadas nos fins de semana. "Eu vi que era possível pedalar no espaço urbano e expandir do lazer para o trabalho. As pessoas vão acabar se habituando como eu, que antes andava só de carro e hoje consigo cruzar a cidade." Do Butantã, na zona oeste, até a ciclovia da Paulista, ele pedala por cerca de quatro quilômetros.

Contra. Outros não estão tão animados com a nova ciclovia. "Poderiam fazer em qualquer lugar, menos na Paulista. Atrapalha demais e vai ter um monte de ciclista atravessando fora do lugar", disse o taxista Nicola Perez, de 35 anos. "Acho uma porcaria, só atrapalha o trânsito e o comércio", afirmou a empresária Magda Francisco, de 50 anos, que afirma ter sido prejudicada por uma ciclovia na frente do seu comércio, em Pinheiros, na zona oeste.

A origem. Para o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, as Ciclofaixas de Lazer implementadas pelo ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) "foram um momento importante" para a cidade, pois impulsionaram a criação das ciclovias atuais. As faixas são montadas nos domingos e feriados. "Ajudou a humanizar (o trânsito) e fez o motorista respeitar mais os ciclistas. Quem pedala nas faixas de lazer nos domingos geralmente anda de carro durante a semana. Ela foi e continua sendo importante", afirmou Tatto. / B.R. e R.I.

 

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