'Faixa extra pode atrair a demanda reprimida de carros'

Análise: Creso de Franco Peixoto

MESTRE EM TRANSPORTES DA FUNDAÇÃO , EDUCACIONAL INACIANA (FEI), O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2011 | 03h05

A oferta de novas faixas em rodovias paulistas, já sobrecarregadas em função da excessiva motorização contemporânea, pode provocar um sério efeito colateral: atrair a demanda reprimida. Com melhores condições de tráfego, os motoristas que antes evitavam rodar pelas estradas congestionadas podem sentir atração em voltar a usá-las.

A quinta faixa da Imigrantes proporcionará uma melhora, mas ela não será suficiente para impedir que a rodovia se torne um estacionamento nos típicos picos de uso. Na Anchieta, um viaduto mais largo aumentará a fluidez, mas não impedirá que o trecho da Represa Billings permaneça com cara de avenida. Na Rodovia dos Bandeirantes, o efeito positivo não deve se sobrepor por muito tempo ao aumento constante da frota de veículos. Ela aumenta mais do que qualquer obra possa suportar. O mesmo retrato pode ser projetado para a Ayrton Senna, onde as marginais - ressalta-se - são estudadas desde os anos de 1990.

Enfim, as concessões rodoviárias paulistas causaram efetiva melhoria na malha de acesso à metrópole. Mas, ao olhar para trás, é possível constatar que a ampliação do sistema rodoviário, com construção de faixas extras, não resolve o problema das saídas das vias. Elas continuarão a barrar qualquer um que queira acessar a cidade nas primeiras horas do dia. Somente a efetivação de um plano diretor em transportes, focado na oferta de transporte público de qualidade e integrado, melhorará as mobilidades regional e urbana. E metrô, que já deveria apresentar mais de 200 quilômetros. Não faltam exemplos para ilustrar.

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