Divulgação
Divulgação

Faixa exclusiva liberada para ajudar crianças

Secretaria Municipal dos Transportes revoga veto de dezembro e decide facilitar o transporte de doentes com câncer em corredor de ônibus

Luisa Alcalde, O Estado de S.Paulo

24 Março 2011 | 00h00

JORNAL DA TARDE

A Associação Helena Piccardi de Andrade Silva (AHPAS) oferece transporte gratuito e especializado a 30 crianças e adolescentes com câncer da periferia da capital paulista. Eles vão todos os dias a hospitais a até 40 quilômetros de distância. Em setembro, a entidade pediu autorização à Secretaria de Transportes para que suas Kombis trafegassem em corredores exclusivos - como é permitido aos 32 mil táxis e 333 veículos do Serviço de Atendimento Especial (Atende).

Depois de uma negativa em dezembro, em que o Departamento de Operação do Sistema Viário (DSV) analisou que "tal medida acarretaria sérios transtornos" ao trânsito e "poderia ser usada como um precedente", a secretaria resolveu dar a autorização ontem. Consultada pela reportagem, informou, por meio de sua Coordenadoria de Comunicação, que "reavaliou a solicitação". A AHPAS havia recorrido em fevereiro.

"Nossa intenção com esse pedido foi tentar melhorar a qualidade de vida das crianças atendidas em um período difícil da vida delas, tornando as idas e vindas de hospitais menos desgastantes", diz a presidente da associação, Tatiana Piccardi. "Elas vivem em uma cidade onde a população carente mora cada vez mais afastada do centro."

Alívio. A dona de casa Marinalva Maria de Oliveira, mãe de Tiago, de 9 anos, usa o transporte da AHPAS há sete, desde que descobriu que o filho tem um tumor no cérebro. Com a decisão, poderá diminuir a média de seis horas que gasta no trânsito para ir da zona leste até o Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graac) e a Cruz Verde, ambos na Vila Mariana, zona sul, onde Tiago faz fisioterapia. "É muito parado na Radial Leste", reclama. Depois de submetido a uma cirurgia, o menino não andou, falou ou enxergou mais. Sequer fica em pé. A mãe precisa transportar Tiago em um carrinho de criança ou no colo.

A entidade calcula que a diminuição do tempo dos trajetos permitirá ampliar a capacidade de atendimento de pacientes sem aumento da frota.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.