Fado, salsa, tango. É só escolher o ritmo

Fado, salsa, tango. É só escolher o ritmo

Shows e concurso vão agitar a semana; casas latinas viraram moda em São Paulo

Filipe Vilicic, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2010 | 00h00

Tradição. Colégio Miguel de Cervantes, no Morumbi, oferece dança flamenca para as comunidades espanhola e brasileira

Morena, de olhos pretos e rosto fino, a educadora física Maria Gonzalez, de 27 anos, faz o tipo Penélope Cruz - tem feições (e nome) de espanhola. Mas ela, cujos pais são galegos, não quis manter viva a cultura de seus ancestrais só na aparência. Por isso, resolveu dançar. Maria faz aulas de flamenco desde os 9 anos, no Colégio Miguel de Cervantes, no Morumbi. "Em uma apresentação minha, quando criança, meus avós até choraram, porque se lembraram da infância na Espanha", conta.

Para descendentes de espanhóis, portugueses e povos latinos em geral, a música serve para preservar tradições. Mas há também paulistanos que têm adotado esses ritmos por outro motivo: pura diversão. Salsa, zouk, flamenco e cia (trazidos para cá por radicados, como os pais de Maria) viraram moda.

Paulistanos frequentam cursos e bares atraídos pelas características típicas desses estilos - que, segundo praticantes, são "quentes". E também porque estão na moda. Prova disso é que São Paulo tem uma semana movimentada: há um show de fado hoje, um de tango no fim de semana e um concurso de salsa no domingo (mais informações nesta página).

Mania. A salsa caribenha é a que mais caiu no gosto do paulistano. "Senti que o ritmo começou a estourar em 2005", diz Georges Foz, dono do Azucar, clube dedicado ao gênero. Ele abriu seu negócio em 2000, após reparar que bares europeus e americanos estavam adotando a salsa. "A mania pegou por causa do sucesso do documentário Buena Vista Social Club", recorda. "Decidi trazer para cá e atraí um público da alta sociedade. Virou um forró de bacana."

Depois, a salsa se popularizou. Há seis anos, a dançarina Milena Malzoni, que tem uma escola na Vila Olímpia, detectou o início da onda e abriu o Rey Castro, no mesmo bairro. "Viramos ponto de encontro de cubanos que querem lembrar de seus países, mas também de brasileiros que vêm para curtir", destaca.

Para se ter ideia de como o paulistano entrou no ritmo, as noites de salsa, às quartas, recebem até 600 pessoas (no começo, eram 50). O clube criou uma competição. O concurso de salsa está na quinta edição e as eliminatórias começam domingo.

Tradição. A dança latina virou hobby de paulistano - não só as da América Latina. "A maioria dos nossos 85 alunos não é de descendentes", afirma Vera Alejandra, dona da Associação Cultural de Dança Espanhola Cuadra Flamenca, em Pinheiros.

Mas não é de agora que dá para ouvir sons latinos por São Paulo. Antes, não era moda. Mas estrangeiros mantinham suas tradições. "Frequento as casas de fado há 15 anos", diz o arquiteto português Eduardo Rocha, no Brasil desde 1985. Ele ouve a música em restaurantes temáticos, como o Portucale, na Vila Olímpia. "Quando começam a tocar música folclórica, até levanto da mesa e danço."

Hoje, os fãs de fado têm mais um motivo para sair da cadeira. O pianista lusitano Mario Moitta, ícone do gênero, se apresenta, às 21 horas, no Buchanan"s Loung by Ranieri, nos Jardins. "Pela música, mostro as tristezas e as alegrias de meu país", diz. "Fico feliz em ver que as colônias brasileiras preservam nossa música e nossa história."

PARA OUVIR, DANÇAR, CURTIR

Fado

O estilo português costuma ser melancólico. "Mas também temos canções alegres, para dançar", conta o fadista lusitano Mario Moitta. Hoje, às 21 horas, ele tocará piano no Buchanan"s Lounge by Ranieri (Alameda Lorena, 1.221, Jardins; tel. 3062-5504). Há fado no Portucale (Rua Nova Cidade, 418, Vila Olímpia; tel. 3845-8323) e no Alfama dos Marinheiros (Rua Pamplona, 1.285)

Flamenco

Dá para aprender no Colégio Miguel de Cervantes (Avenida Jorge João Saad, 905, Morumbi; tel. 3779-1846) e na Cuadra Flamenca (Rua Teodoro Sampaio, 1.035; tel. 3088-0291)

Salsa

O ritmo agita o Azucar (Rua Dr. Mário Ferraz, 423, Itaim; tel. 3074-3737) e o Rey Castro (Rua Ministro Jesuíno Cardoso, 181, Vila Olímpia; tel. 3842-5267), que tem um concurso - eliminatórias a partir de domingo

Tango

Entre sexta e domingo, ocorre uma edição especial da Tanghetto, festa do Dançata (Rua Joaquim Floriano, 1.063, Itaim; tel. 3078-1804). Os dançarinos argentinos Julio Balmaceda e Corina de la Rosa se apresentam

 

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