Estratégia de passar alunos já matriculados para Fies é usada por faculdades para garantir repasses
Estratégia de passar alunos já matriculados para Fies é usada por faculdades para garantir repasses

Faculdade tem 99% dos alunos com Fies

No ABC paulista, apenas 4 dos 1.268 estudantes não usam crédito; em 100 instituições do País, mais de 60% dos matriculados são financiados

O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2015 | 02h03

Com a estratégia de passar alunos já matriculados para o Financiamento Estudantil (Fies), há faculdades cuja maioria dos estudantes está registrada no programa federal. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC) de 2013, mais de cem instituições têm mais de 60% dos estudantes com mensalidades financiadas. Várias das instituições ou não existiam em 2010 ou tinham apenas uma ou duas turmas de graduação - mas, hoje, já têm milhares de alunos ligados ao Fies.

É o caso da Faculdade Tijucussu, em São Caetano do Sul, no ABC paulista. Em 2010, eram 27 alunos matriculados, nenhum com Fies. Hoje, são 1.272 estudantes - e, de todos esses, só quatro pagam suas próprias mensalidades e todos os outros estão registrados no programa federal. Esse número faz com que ela seja a faculdade com mais de mil alunos com maior porcentagem de estudantes no Fies: 99,7%. A faculdade faz parte do Grupo Uniesp, que é o que mais depende do financiamento entre os cinco maiores no País (leia mais nesta página).

Também é desse mesmo grupo a instituição líder na adesão ao Fies entre as com mais de dez mil alunos. Trata-se da Faculdade de São Paulo, localizada no centro da capital. O número de alunos no programa registrou um salto entre 2010 e 2013, se multiplicando por mais de 1.500 mil vezes. O total passou de apenas oito estudantes, no último ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva, para 13.136, o que corresponde a 90% de seu corpo discente. Em 2010, a porcentagem não chegava a 0,2%.

Grandeza. Se for analisado o número total de alunos com Fies entre as mantenedoras, a campeã é a Anhanguera Educacional Ltda., pertencente ao Grupo Kroton-Anhanguera. São 80,7 mil, mais estudante do que qualquer universidade federal do País. O crescimento de 2010 para cá foi de 2.000% - o que não significou um número maior de alunos. Eram 230 mil estudantes em 2010 e continuam 230 mil alunos em 2013. Ou seja: a diferença é que há menos gente pagando a mensalidade por conta própria e mais dependendo do governo federal para quitar os estudos.

A mesma lógica é registrada em mantenedoras de outros grandes grupos de educação superior. Duas faculdades de propriedade do Grupo Estácio, por exemplo, passaram de 6,9 mil estudantes recebedores de Fies em 2010 para 39,9 mil em 2013, uma variação cinco vezes maior do que o número total de alunos no período. E, no caso da Unip, chama atenção a sua maior mantenedora: a Associação Unificada Paulista de Ensino Renovado. Sua taxa de aumento de alunos com financiamento foi 16 vezes maior do que a do total de alunos no intervalo. Atualmente, estudam lá 46 mil alunos com Fies.

O Estado procurou os grupos citados para saber o posicionamento sobre o programa. O Kroton-Anhanguera e a Unip preferiram não responder aos questionamentos. Já a Estácio atribui o crescimento do Fies entre seus alunos à crescente confiança com o programa e que estudantes que usam o financiamento têm mais chance de concluir o curso. Além disso, a instituição diz não estimular a adesão ao programa. /JOSÉ ROBERTO TOLEDO, PAULO SALDAÑA e RODRIGO BURGARELLI

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