Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Fachada do Convento São Francisco amanhece pintada no centro

Monumento é tombado e requer autorização para intervenções; administração não sabe quem são os autores da ação

Marina Dayrell, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2018 | 15h44
Atualizado 25 Abril 2018 | 20h52

SÃO PAULO - A fachada do Convento São Francisco, no centro de São Paulo, amanheceu pintada nesta quarta-feira, 25. O monumento, construído na década de 1940, é tombado como patrimônio histórico e requer autorização para pintura.

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De acordo com o Frei Alvacir da Luz, funcionários do local se depararam com a pintura em parte da fachada da Rua Riachuelo. A tinta foi passada por cima de janelas e portas de madeiras antigas e placas de numeração. Nenhum deles presenciou a ação.

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Ainda segundo o Frei, por trás da pintura, havia marcas de pichação que se acumularam ao longo dos anos. Por esse motivo, a administração do convento já havia acionado, há quase um ano, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (Condephaat) e o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), mas ainda não havia conseguido a autorização para a pintura. “A gente não quer deixar dessa forma, está feio, mal feito. A tinta passou por cima de tudo que tinha na fachada”, diz.

O Convento de São Francisco fez um boletim de ocorrência e busca os órgãos responsáveis pelo patrimônio histórico de São Paulo para identificar os autores da ação.  Câmeras de segurança na região flagraram ações de pessoas pintando a fachada.

Em nota, a Prefeitura esclarece que não emitiu nenhuma ordem de serviço para trabalhos na fachada do imóvel. Por determinação do prefeito, a Secretaria Municipal de Prefeituras Regionais vai apurar se as pessoas que aparecem nas imagens são de alguma empresa terceirizada ou se houve uso indevido de uniformes da administração.

A Polícia Civil informou que o caso foi registrado como " pichar, grafitar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento histórico" pelo 1°DP da capital. Segundo a nota, o local passou por perícia e o caso foi encaminhado ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), que irá investigar o caso.

O Condephaat ressaltou, em nota, que quaisquer intervenções no convento devem ser autorizadas pelo órgão, "de modo a evitar descaracterização do patrimônio". "A única ação recente autorizada pelo Conselho, no começo deste mês, foi a remoção de uma pichação no edifício aos fundos da Igreja São Francisco que, segundo o pedido protocolado, seria feita com jato de água quente de baixa pressão e removedor."

"A área técnica do Condephaat fará vistoria do bem para analisar os danos causados pela pintura irregular e se eles podem ser revertidos. Caso não seja apresentado um projeto com proposta de reversão em até 15 dias, os responsáveis poderão ser multados por deliberação do Conselho", informou o Condephaat.

Procurado, o Conpresp não se pronunciou sobre o assunto.

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