Facebook ajuda famílias a achar desaparecidos

Foi o caso de socióloga que encontrou o irmão ao postar foto dele e receber pista de internauta

LUÍSA ALCALDE, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2012 | 03h04

Quem busca um parente desaparecido sabe somar de cabeça as horas, dias, meses e até anos desde o sumiço - segundo a Polícia Civil de São Paulo, 23 mil pessoas desapareceram no Estado em 2011. E, na tentativa de acabar com a dor o mais rápido possível, cada vez mais pessoas têm recorrido às redes sociais para localizar o familiar.

Foi o que fez a socióloga Fátima Abou Mahmoud, de 27 anos. Ela postou a foto do irmão, Omar, de 28, no Facebook. Imediatamente, a imagem se espalhou e teve 10 mil compartilhamentos. Ele tinha desaparecido na manhã do dia 7 do Jardim Miriam, zona sul, e foi encontrado no último domingo, Dia das Mães, graças a uma pista dada por um internauta de Guarulhos, na Grande São Paulo. "Ele contou que viu meu irmão entrando em um ônibus para Arujá. Fiz o mesmo trajeto, conversei com motoristas e cobradores e soube que assistentes sociais o haviam levado a um hospital da cidade."

Já a estudante S.S.F., de 12 anos, ficou dois dias desaparecida em novembro - e a família também fez um apelo nas redes sociais. O pai dela, Décio Ribeiro Fontão, de 52, postou que a filha tinha saído após receber um telefonema da mãe, que sabia que ela havia faltado à aula.

"Fiquei com medo de eles brigarem comigo. Então, saí andando por aí. Encontrei uma menina chamada Juliana, que me levou para a casa dela", disse S., após ser encontrada. Na casa de um amigo de Juliana, ela acessou a internet. "Fiquei surpresa com milhares de pessoas me procurando. Pedi para me levarem para casa."

O especialista em direitos da criança e do adolescente Ariel de Castro Alves diz que esses casos têm a solidariedade da população. "Principalmente quando os sumidos são crianças e adolescentes." Alves, porém, alerta que as postagens devem ser confirmadas, para não espalhar fatos inverídicos.

Mito das 48 horas. Segundo o titular da Delegacia de Pessoas Desaparecidas, Sérgio Marmo Pereira Passos, a orientação de registrar queixa apenas 48 horas após o desaparecimento é um mito. "Nunca existiu essa normatização." A Lei 11.249, de 2005, determina investigação imediata em caso de desaparecimento de criança ou adolescente.

A delegacia não tem página no Facebook ou outra rede social, mas coloca à disposição seu banco de dados, com fotos, no site da polícia. Passos informa ainda que a maioria das pessoas desaparecidas retorna para casa em 72 horas - no ano passado, 19 mil foram localizadas ou voltaram espontaneamente.

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