Facções criminosas ganharam força no complexo

Em 1987, dois bandidos sequestraram um helicóptero e obrigaram o piloto a pousar no pátio da prisão

, O Estadao de S.Paulo

14 Março 2010 | 00h00

As facções criminosas nasceram no Presídio de Ilha Grande e ganharam força no Complexo Frei Caneca. Inspirados pelo convívio com os presos políticos, bandidos comuns passaram a se organizar nas celas. "Esses complexos penitenciários cheios de presos foram fundamentais na formação e no desenvolvimento dessas facções", explica Gelsom Rozentino de Almeida, professor de História da Universidade do Estado do Rio (Uerj) e coordenador do curso de especialização em Gestão Penitenciária.

Em 1987, uma tentativa de fuga do complexo demonstrou a força que essas facções já ostentavam na época. Dois bandidos sequestraram um helicóptero e obrigaram o piloto a pousar no pátio da prisão. Policiais atiraram e derrubaram o aparelho, matando os bandidos e o piloto. O traficante Carlos dos Reis Encina, o Escadinha, escapou. O desastre fez o então governador Moreira Franco anunciar a desativação do complexo.

Mas a desativação do Frei Caneca só começou mesmo em 2003. Três anos depois, parte dos prédios administrativos e um auditório para 1.400 pessoas foram demolidos.

A força das facções nas favelas que cresceram no entorno do complexo é a principal justificativa do secretário de Estado de Administração Penitenciária, Cesar Rubem Monteiro, para a desativação. "Os bandidos dessas comunidades atiravam objetos para dentro do complexo e disparavam contra os detentos de facções rivais", afirma o secretário.

Na avaliação do professor de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Michel Misse, a desativação do Frei Caneca representa o desejo de revitalizar uma área. "Vão apenas levar os criminosos para mais longe, para o Complexo Penitenciário de Gericinó (zona oeste do Rio). O sistema penitenciário brasileiro continua atrasado e horroroso", criticou.

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