Facção já atua no Paraguai e na Bolívia

O Primeiro Comando da Capital já atua além das fronteiras do Brasil. Relatório do Sistema Brasileiro de Inteligência (SisBin) mostra que o grupo tem alianças desde 2008 com traficantes de Paraguai e Bolívia e hoje domina o comércio de cocaína e maconha para boa parte do mercado brasileiro.

LISANDRA PARAGUASSU , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2012 | 02h03

Organizado como empresa, designa gerentes para trabalhar nos dois países com os grupos locais e eliminar intermediários. Hoje o grupo domina a chamada "rota caipira", por onde passam drogas vindas dos dois países para abastecer o Brasil.

O primeiro contato com os bolivianos teria sido feito em 2008 por Wagner Raposo Olzon, o Fusca, tesoureiro do grupo preso logo após voltar de viagem. A polícia descobriu que o contato foi feito para que o PCC comprasse diretamente dos bolivianos uma tonelada da cocaína. O fim dos intermediários faria com que o grupo economizasse cerca de R$ 2 mil a cada quilo de droga.

Apesar da prisão de Fusca, a conexão foi estabelecida. Hoje o SisBin sabe que o PCC tem os chamadas "sintonias" - gerentes do grupo - nos dois países. A cocaína vem principalmente da Bolívia. A mesma rota é usada para abastecer o grupo de armas e esconder traficantes visados pela polícia. A fronteira brasileira, extremamente porosa, facilitaria fuga e esconderijo de um lado e outro.

'Rota caipira'. A conexão internacional garante ao PCC não apenas o suprimento de drogas - apesar de outros meios, hoje o tráfico representa mais de 80% da arrecadação do grupo -, mas também o domínio da chamada "rota caipira", que entra pela fronteira via Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul para alimentar interior paulista e capital, eventualmente chegando ao Rio. Além da associação com traficantes locais, o PCC tem instalado nesses países alguns de seus próprios homens.

Rota para a Europa. De acordo com o SisBin, apesar de boa parte da droga que abastece o continente europeu passar pelo Brasil, o PCC atuaria ainda apenas no abastecimento do mercado interno, o que não é pouco. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) calculam em 900 mil os usuários brasileiros de cocaína. Entre 60% e 80% da droga produzida na Bolívia serviria para abastecer o mercado interno.

Ainda assim, um dos temores do governo brasileiro é de que o cenário mude e o PCC passe a atuar em conjunto com cartéis internacionais que abastecem a Europa. Apesar de uma suposta associação com o cartel mexicano Zeta, na Bolívia, os negócios até agora seriam restritos à compra e distribuição de droga na América do Sul. Uma ampliação dessa associação, mesmo que só para segurança no transporte, poderia significar mais dinheiro, armas e poder ao PCC.

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