Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Após críticas, FAB divulga nova nota sobre acidente que matou filho de Alckmin

Com desenho do sistema de controles do helicóptero, o órgão tenta explicar a soltura das peças; especialista diz que nota é confusa

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

03 Junho 2015 | 18h46

Atualizado às 20h23

SÃO PAULO - Depois de ser criticada por especialistas, a Força Aérea Brasileira (FAB) divulgou uma nova nota nesta quarta-feira, 3, sobre as possíveis causas do acidente de helicóptero que matou Thomaz Alckmin, filho do governador de São Paulo, e mais quatro pessoas no dia 2 de abril, em Carapicuíba.

Na segunda-feira, o comunicado da FAB dizia que duas peças "fundamentais" para o piloto controlar a aeronave estavam desconectadas já antes da decolagem, o que foi contestado por especialistas, que disseram ser impossível levantar voo sem esses componentes.

Nesta terça-feira, a FAB divulgou um desenho do sistema de controle do helicóptero para mostrar onde as peças estariam desconectadas. "Foi identificado que algumas dessas peças, no lado direito-inferior da aeronave, estavam desconectadas antes da decolagem. Essa desconexão diz respeito ao posicionamento incorreto do arranjo mecânico, em desconformidade com os manuais do fabricante, fato que ensejou o desprendimento em algum momento do voo."

O conselheiro da Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abraphe), Rodrigo Duarte, considerou que a explicação dada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), via FAB, continua confusa. "A expressão 'estavam desconectadas' já me passa um impressão de peça solta. Na sequência do mesmo parágrafo, há a expressão 'ensejou o desprendimento'. Ora, como eu defino uma peça desconectada que desprende posteriormente?", questionou.

Manutenção. A empresa de manutenção Helipark, de onde saiu o helicóptero no dia 2 de abril, também questionou na segunda-feira a nota divulgada pela FAB. "Se os controles flexíveis e alavancas são fundamentais, como afirmar que o helicóptero decolou e voou mesmo com os componentes desconectados?”.

Nesta terça-feira, a empresa afirmou que "novamente se surpreende" com a divulgação de uma segunda nota da FAB e disse concordar apenas com afirmação de que "ainda não é possível apontar conclusões acerca dos fatores contribuintes que desencadearam o acidente".

Segundo a Helipark, "causa estranheza" essa nota repetir a informação do dia anterior, de que as duas peças estavam desconectadas antes da decolagem. A empresa, no entanto, não comentou a indicação da FAB de que os componentes desconectados estariam em desconformidade com os manuais do fabricante do helicóptero.

A Helibras, fabricante, informou que é “a maior interessada no esclarecimento das causas do acidente”, mas, “por questões éticas e legais”, não se manifestaria porque a investigação não é conclusiva. A empresa dona do helicóptero, Seripatri, também disse que não se manifestaria.

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