Robson Fernandjes/AE-14/6/2010
Robson Fernandjes/AE-14/6/2010

FAB descarta aeroporto em Caieiras

Projeto de construtoras para 3º terminal na Região Metropolitana foi negado por interferir no tráfego de Cumbica, Viracopos e Congonhas

Márcio Pinho e Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2011 | 09h31

A Aeronáutica rejeitou o projeto de construção de um terceiro aeroporto na Região Metropolitana de São Paulo pela iniciativa privada. A avaliação do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) é de que o plano apresentado pelas construtoras Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa para Caieiras, a 30 km do centro de São Paulo, é inviável, pois causaria interferências nos aeroportos de Cumbica, Viracopos, Congonhas e Jundiaí.

Quando se leva em consideração o volume de tráfego aéreo da região, um aeroporto em Caieiras ficaria no meio de um espaço aéreo já tumultuado - a área chamada Terminal São Paulo, que corresponde a 33% de todo o tráfego do País, concentrado em apenas 1,2% do território nacional. Essa configuração, segundo o Decea, não foi analisada pelas construtoras no projeto.

Nos moldes de Cumbica, Caieiras seria internacional, teria duas pistas de pouso e decolagem e uma capacidade inicial para 22 milhões de passageiros. Seria o primeiro aeroporto totalmente operado e construído pela iniciativa privada.

A construção de um terceiro aeroporto em São Paulo, porém, vem sendo apontada pelas autoridades paulistas como uma das prioridades da Região Metropolitana para os próximos anos. A ideia é defendida pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e foi apresentada pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) como um dos cinco temas primordiais para a região nas reuniões do recém-formado Conselho da Região Metropolitana, ao lado de questões de saneamento e combate à poluição.

A negativa é um banho de água fria nos planos do Estado e da Prefeitura de São Paulo, que tentavam emplacar o projeto com o governo federal. No Planalto, porém, o terceiro aeroporto é um assunto a ser evitado - pelo menos até saírem os leilões de Cumbica e Viracopos. Anunciar um aeroporto concorrente a essa altura faria despencar o preço das concessões.

As construtoras não desistiram do projeto e devem apresentar novos estudos à Aeronáutica. Em nota, afirmam que consultoria especializada não constatou interferências no tráfego aéreo e que os estudos estão "sendo aprofundados".

Questionado sobre a área ideal para receber o aeroporto, Kassab, que preside o Conselho da Região Metropolitana, disse na terça que não teria conhecimento para indicar uma região. "Não sou técnico, não me sinto habilitado para citar nenhuma área", afirmou.

Ontem, porém, Kassab esteve em Brasília e levou o prefeito de Caieiras, Roberto Hamamoto, recém-filiado ao PSD, para tratar do assunto. "Tivemos informação nesse sentido (sobre a negativa do Decea), mas acreditamos que o impasse possa ser resolvido", diz Hamamoto. "Não existe região mais propícia em São Paulo. Caieiras fica entre o Rodoanel e as Rodovias dos Bandeirantes e Anhanguera."

Operação

9 milhões

de m2 é o tamanho da área onde ficaria o aeroporto em Caieiras, entre as Rodovias dos Bandeirantes e Anhanguera, o Trecho Oeste do Rodoanel e o município de Cajamar. As construtoras afirmam já ter comprado a área da Companhia Melhoramentos.

US$ 2 bilhões

seria o investimento do consórcio firmado entre as empreiteiras para construir o aeroporto, que não teria dinheiro público. A Camargo Corrêa tem entre as subsidiárias a empresa Aporte, que opera aeroportos no Chile, Colômbia, Honduras e Curaçau.

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