FAB conclui que pane em Manaus foi barbeiragem

Técnico de eletricidade de plantão no Cindacta-4 errou e provocou apagão

Vannildo Mendes , Estadão

22 de julho de 2007 | 23h36

As primeiras investigações indicam que não foi sabotagem ou falha dos controladores de vôo o que causou a pane no centro de controle de tráfego aéreo de Manaus (Cindacta-IV), na madrugada de sábado, obrigando vôos internacionais a retornarem para fora do País. Comandada pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), a sindicância que apura o caso já levantou que a causa principal teria sido um erro de chaveamento (operação do sistema de alimentação elétrica) do técnico de eletricidade de plantão, conforme informou a Comunicação Social da Aeronáutica.  Veja também: Lista de vítimas do acidente do vôo 3054  O local do acidente  Quem são as vítimas do vôo 3054  Histórias das vítimas do acidente da TAM  Galeria de fotos  Opine: o que deve ser feito com Congonhas?  Cronologia da crise aérea  Acidentes em Congonhas  Vídeos do acidente  Tudo sobre o acidente do vôo 3054 Por conta desse erro, ainda segundo os primeiros dados levantados, o sistema de alimentação de energia externa foi cortado e, com isso, os dois geradores de emergência também não puderam funcionar, provocando o mais novo apagão do setor aéreo brasileiro. "Os controladores, ao contrário das primeiras suspeitas, agiram com profissionalismo e de forma exemplar, ajudando no retorno do sistema à normalidade", disse um oficial que acompanha as investigações. O Decea quer saber agora se foi só barberagem do técnico, se há deficiências estruturais ou se há algo mais por trás do erro. O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, esteve neste domingo em Manaus, para abrir os trabalhos de investigação e, segundo essa autoridade, retornou à noite com a sensação de que a hipótese de sabotagem estaria praticamente descartada, embora não tenha sido excluída da investigação. "Passou a ser uma possibilidade muito mais remota", disse o oficial. A hipótese de sabotagem foi levantada inicialmente por membros da própria Aeronáutica, ressabiados com os sucessivos motins e apagões provocados por controladores de vôo, sobretudo os do Cindacta-1, de Brasília. A suspeita causou revolta na categoria, para a qual o governo procura uma válvula de escape para sua incapacidade de administrar o caos do setor aéreo. Na noite do último dia 20 de julho, por volta das 23 horas, durante uma inspeção de rotina, foi constatada uma anormalidade em um dos grupos geradores de contingência que integram o sistema de energia elétrica do Cindacta IV. A falha não deveria comprometer as operações de controle de tráfego aéreo. Mas, durante procedimento de manutenção, houve um curto-circuito que acabou por comprometer a alimentação das baterias desse sistema, o que causou a interrupção da distribuição interna de energia comercial, às 23h15. A pane na comunicação e nos radares do Cindacta-IV, se agravou na madrugada de sábado e provocou a suspensão de vôos domésticos e internacionais sobre a região amazônica, além de um efeito cascata que levou a novas filas e transtornos nos aeroportos mais movimentados do País.  De início, técnicos da FAB disseram estranhar que todos os mecanismos utilizados em situações emergenciais tenham falhado. Entre os mecanismos utilizados estão geradores reservas de energia e a ocorrência de um curto-circuito na manutenção do sistema. Imediatamente, as equipes do Cindacta IV adotaram medidas de contingência com o objetivo de garantir a total segurança das aeronaves sob o seu controle.  O fornecimento de energia foi restabelecido a 1h32 do sábado, os sistemas foram reiniciados e o controle pôde ser retomado normalmente a partir das 2h30. Em dezembro, do mesmo jeito, oficiais da FAB divulgaram a versão que uma falha de comunicação no Cindacta 1, em Brasília, fora causado por uma sabotagem, e, no entanto, foi constatado nas investigações que o problema também foi provocado por um erro.  A hipótese de sabotagem, num primeiro momento, baseou-se em alguns fatos. A fase mais recente do Cindacta IV foi concluída em novembro de 2005. Segundo a FAB, trata-se de um centro de controle aéreo moderno, cujos equipamentos não estão desgastados. O horário do incidente também chamou a atenção.  Todos os países da América do Sul, obrigatoriamente, passam pela área do Cindacta IV tanto para ir para os Estados Unidos como para a Europa. A FAB chama esse trecho monitorado a partir de Manaus de "Europa South América". A Amazônia têm uma característica de tráfego internacional que ocorre normalmente de meia-noite a 3 ou 4 horas, momento do "apagão".

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