FAB cita má formação de pilotos e controladores

Aeronáutica faz mea-culpa e não cita nome de culpados pelo desastre

Tânia Monteiro e Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo,

10 Dezembro 2008 | 21h56

Pilotos sem treinamento suficiente para a realização do vôo e controladores de tráfego aéreo que não cumpriram procedimentos obrigatórios em suas funções estão entre os principais fatores determinantes que levaram ao acidente entre o jato Legacy e o Boeing da Gol, em 29 de setembro de 2006, matando 154 pessoas, segundo o relatório apresentado nesta quarta-feira, 10, pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).   Veja também:  Apesar de atrasos, Anac descarta novo 'apagão' no Natal  Relatório do Cenipa aponta erros de pilotos e militares  Legacy minuto a minuto  O que diz o relatório da Aeronáutica sobre o acidente da Gol  Das medidas anunciadas contra crise aérea, só uma vigora  Especial: memória das duas maiores tragédias da aviação  Todas as notícias sobre a crise aérea  Todas as notícias sobre o acidente da Gol      Mas, além dos controladores de São José dos Campos, de onde o Legacy partiu, e de Brasília, que foram econômicos nas recomendações aos pilotos americanos, também os controladores de Manaus tiveram parcela de responsabilidade no acidente. O relatório chega a fazer um mea-culpa dizendo que "os efeitos da escassez de pessoal refletiram na qualidade dos serviços, na medida em que contribuíram para a degradação do desempenho dos controladores e/ou da insuficiente capacitação técnica". O relatório classifica como fator contribuinte a formação dos controladores.   O texto não cita nomes de culpados pelo desastre, mas informa que o transponder, equipamento anticolisão, que indica a posição exata do avião no radar, foi "inadvertidamente" colocado em modo "stand by" pelo piloto que estava sentado à esquerda da aeronave - Joe Lepore -, quando ele estava "se familiarizando" com o equipamento. Para deixar o equipamento inoperante, ele teria apertado o equipamento duas vezes, em menos de 20 segundos, sem se dar conta dessa ação, deixando-o sem transmitir sinal por 59 minutos. Na apresentação do relatório, os militares salientaram que os pilotos do Legacy "tiveram pressa" em decolar, tinham "um plano de vôo inadequado" e "baixa consciência" em relação à situação de vôo, que era percebida por eles, como "de rotina".   Orientações   Uma das 65 recomendações emitidas pelo Cenipa após o acidente tenta, exatamente, evitar que esse problema de falta de comunicação entre pilotos e controladores se repita por tanto tempo. O Cenipa pediu à Organização Internacional de Aviação Civil (Icao, na sigla em inglês) que estabeleça um limite máximo de tempo sem contato entre os dois, mas não sugere de quanto tempo seria.   Outra recomendação é para que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aumente a fiscalização na entrega de aeronaves a estrangeiros. Um dos problemas detectados foi que os pilotos não tinham conhecimento do equipamento nem do plano de vôo. O Cenipa pediu ao FAA - que regula a aviação civil nos Estados Unidos - que oriente os pilotos que voem para fora do país sobre as regras internacionais. Sugere também a instalação de alarmes e alertas tanto na cabine do avião, como nos centros de controle de tráfego aéreo, para que todos fiquem mais alertas, quando o transponder for desligado.

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