Expulsos da cracolândia, usuários de drogas invadem linha de trem

Para fugir do policiamento, eles se arriscam perto dos trilhos na Barra Funda; moradores reclamam do barulho e da insegurança

ARTUR RODRIGUES , O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2012 | 03h01

Acuados pela presença ostensiva da Polícia Militar na cracolândia, usuários de droga passaram a se arriscar para fumar crack escondidos perto dos trilhos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. A CPTM afirma que aumentou a segurança na área para prevenir acidentes.

Quem mora ou trabalha na região cortada pela linha férrea diz que quando escurece o problema toma proporções mais perigosas. Das janelas de prédios dos arredores, moradores podem ver o pisca-pisca dos cachimbos de crack sendo acesos.

Além do risco de acidentes, a presença dos viciados na linha do trem prejudica o sono da população ao redor.

"Eles invadem os trilhos e os maquinistas dos trens de carga passam a noite buzinando para não atropelá-los", afirma o porteiro Ícaro Chamarelli, de 24 anos, que trabalha em um prédio na Rua Capistrano de Abreu, na frente da linha férrea. Além de trens de carga, as Linhas 7-Rubi e 8-Esmeralda, da CPTM, também passam pelo local.

O Estado presenciou vários usuários de crack pulando o muro da linha férrea em uma passarela que liga as Ruas Capistrano de Abreu e Luigi Greco. Eles se concentram nos matagais próximos dos trilhos para fumar.

Usuários de crack confirmam que, no esconderijo, ficam livres das chamadas "procissões do crack", quando policiais afugentam a multidão de viciados pelas ruas da região central.

À noite, até a passarela de pedestres sobre a linha férrea também fica tomada por usuários de droga. "Ninguém mais tem coragem de atravessar", afirma a autônoma Maria Matos, de 56 anos, que trabalha perto dali. Na Rua Luigi Greco, fogueiras são acesas e o lixo fica acumulado. O cenário degradado, com grande presença de viciados e traficantes, afeta a segurança. A população da área afirma que os furtos e roubos são frequentes perto da passarela.

Vigilância. A CPTM informou que, inicialmente, aumentou a vigilância por causa da paralisação dos trens motivada pela implosão de um prédio na Favela do Moinho, o que poderia atrair invasores. Após o início da operação da PM na cracolândia, no último dia 3, o reforço nas rondas foi mantido para afastar usuários de crack que invadem a linha férrea. Agentes de segurança disseram, em conversa informal, que o trabalho aumentou muito depois do início da ação de policiamento ostensivo.

A companhia informa que, quando é constatada a presença de invasores, os agentes ordenam a saída imediata. No caso de pessoas cometendo atos criminosos, os suspeitos são encaminhados à polícia.

Pedradas. A reportagem flagrou no último dia 22, porém, um conflito com pedradas entre meninos da Favela do Moinho e agentes de segurança. A CPTM informou que o procedimento não é correto. A companhia afirma que vai apurar os fatos e tomará as medidas cabíveis.

A Polícia Militar informou que ainda não havia constatado o problema na linha férrea e as rondas serão intensificadas na área. / COLABOROU AYRTON VIGNOLA

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