Martin Kollar
Martin Kollar

Exposição mostra ruas de diferentes partes do mundo

Além de painéis, jogos e vídeos sobre uso da via pública, visitantes do Museu da Casa Brasileira podem ver ideias contra caos urbano

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2011 | 00h00

Sem essa de "se esta rua fosse minha". Até 11 de setembro, quem for ao Museu da Casa Brasileira sairá convencido de que a rua é sua, é minha, é de todos. Logo na entrada da mostra A Rua É Nossa... É de Todos Nós, do Instituto pela Cidade em Movimento (IVM), o visitante encontra garrafinha d"água, celular, guarda-chuva, patins, tênis e outros apetrechos que o cidadão usa ao se deslocar por espaços públicos.

Nos painéis espalhados pelo museu estão discussões como velocidades diferentes para vias de perfis diferenciados, convivência dos ocupantes das ruas (dos camelôs aos motoristas, passando pelos entregadores de pizza e pelos bombeiros) e projetos futuristas que tentam solucionar o caos das ruas das grandes metrópoles.

"Um dos principais problemas urbanos hoje é quando uma função do espaço público - por exemplo, um modo de transporte - tem supremacia sobre outras. É o que chamamos de hiperespecialização", aponta Andres Borthagaray, diretor de Projetos para América Latina do IVM.

Nesse contexto, há administrações que ousam nas soluções. "Algumas cidades holandesas e suíças têm, por exemplo, eliminado sinais de trânsito, inclusive semáforos", diz Mireille Apel-Muller, curadora da exposição. "Assim, forçam o cidadão a assumir toda a responsabilidade pela condução."

Para ganhar a atenção, questões-cabeça são apresentadas de forma multimídia, com ajuda de games. "Jogos de corrida incentivam a cultura do carro em primeiro lugar. Em outros, o participante precisa cometer atos transgressores, como atropelamentos", explica Paula Lima, educadora do museu. "Há ainda jogos em que o objetivo é justamente planejar urbanisticamente uma cidade."

As imagens expostas no museu (algumas reproduzidas nesta página) mostram situações comuns a várias cidades do mundo, mas sem identificá-las - a ideia é mostrar que tanto os problemas quanto as soluções podem ser universais. Fotos de publicidade nas ruas, que lembram São Paulo antes da Lei da Cidade Limpa, provocam: outdoors são instrumentos de manipulação e agressão ou podem ser considerados informação e expressão artística? Barreiras físicas cercando calçadas, para que carros não a invadam, são exemplos de cenário onde o veículo se sobrepõe ao interesse do pedestre.

Futuristas. Em uma das salas, o destaque fica por conta dos projetos futuristas. O bairro Fusionopolis, por exemplo, concebido para Cingapura, prevê uma comunidade inteiramente voltada às novas mídias e tecnologias. São três torres high tech, com andares cheios de plantas.

Outra proposta, voltada para a cidade de Paris, pretende organizar o fluxo diário de 800 mil pessoas no centro da capital francesa com uma rua cânion de onde brotam 20 pequenas torres coloridas. E como Pequim pode crescer sem atrapalhar seu centro histórico? A resposta está no Linked Hybrid, projeto com ruas suspensas que ligam oito megaprédios da populosa cidade.

O grand finale é uma sala com três telões onde são projetadas, simultaneamente, imagens captadas em ruas ao redor do mundo - inclusive de São Paulo. Artistas de rua, pedestres apressados, motoristas, ambulantes, gente distraída, gente calma, gente estabanada... Todos coexistem e, nem sempre numa boa, dividem o mesmo espaço.

Convivência. "A ideia é mostrar que as pessoas não estão simplesmente na rua. As pessoas são a rua", resume Paula. Com a provocação, a questão trocadilhesca ganha destaque na sala do museu: "o ser humano já conquistou a lua, mas ainda não aprendeu a conquistar a rua".

PROGRAME-SE

13 de agosto, às 10h

Passeio pelo centro de SP

20 de agosto, às 9h30

Repensando o Espaço Público no Entorno do MCB (25 vagas)

21 de agosto, às 8h

Passeio de Bicicleta

27 e 28 de agosto

Bicicloteca

1º de setembro, às 19h30

Mesa redonda sobre legibilidade urbana pela comunicação visual

Serviço

A RUA É NOSSA... É DE TODOS NÓS!

ABERTA ATÉ 11 DE SETEMBRO. HORÁRIO: DAS 10H ÀS 18H. LOCAL: MUSEU DA CASA BRASILEIRA. ENDEREÇO: AVENIDA FARIA LIMA, 2.705, JARDIM PAULISTANO. TELEFONE: (11) 3032-3727. ENTRADA FRANCA.

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