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Exposição em loja vira moda no comércio em São Paulo

Clientes ganham roteiro cultural alternativo e artistas, novos espaços na capital

VALERIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2011 | 03h02

O paulistano já viu de tudo dentro de uma loja. Brinquedoteca, café, restaurante... Agora a novidade é galeria de arte. Quadros, fotos e esculturas começam a dividir espaço com araras e prateleiras repletas de roupas, acessórios de moda, objetos para casa, entre tantos outros produtos.

Nessa combinação, o cliente ganha um roteiro alternativo de exposições e o lojista, além de fazer um "agradinho" ao consumidor, também atrai um público diferente do usual - sim, tem gente que acaba conhecendo a loja atraído pela exposição.

"Tem ainda um outro efeito, o de levar arte para quem não frequenta galeria", diz Alberto Hiar, dono da marca jovem de street wear Cavalera.

Hiar foi pioneiro nessa nova onda. Em 2009, inaugurou uma flagship (loja conceito) na Rua Oscar Freire, nos Jardins, zona oeste, onde passou a vender roupas da Cavalera e da V.Rom, sua outra marca, que antes funcionava na Alameda Lorena, no mesmo bairro. Como a loja ficou vazia, em 2010, Hiar criou ali a Cavalera Art Projects, uma galeria voltada à arte de rua.

"A Cavalera sempre apoiou o rock e o skate, que deixaram de ser culturas marginais", diz o empresário. "Agora a marca apoia o grafite e outras expressões que não teriam espaço em uma galeria convencional. Achei ótimo criar um espaço assim nos Jardins, porque acabo misturando públicos que geralmente não frequentam os mesmos lugares."

Mestre em reforçar o conceito da grife, não raro, Hiar usa a cidade como palco de grandes desfiles da São Paulo Fashion Week. Já organizou um no Minhocão, zona oeste. O projeto da galeria reforça sua estratégia.

"Não somos apenas comerciantes. Quero que as pessoas entendam o conceito da loja que tem tudo a ver com originalidade", diz Silvia Serber, diretora de marketing da Atec, um showroom de móveis para escritório, em Pinheiros, na zona oeste. A marca está construindo um espaço cultural na nova sede, que será na Avenida Brigadeiro Faria Lima, também nos Jardins.

Centro cultural. Dos 500 m2 do prédio novo, um quinto será para abrigar exposições, cursos e palestras. O espaço foi batizado de Atec Cultural e vai funcionar sob a curadoria da pesquisadora e professora de Design Ethel Leon. "Este é um jeito da loja estabelecer um outro relacionamento com o cliente e de virar uma referência", diz Silvia.

Há quinze dias, a Tag and Juice, butique de bicicletas, que fica no beco da Vila Madalena, zona oeste, forrou as paredes com obras de quatro artistas: os brasileiros Liene Bosquê e Suriani, a suíço-brasileira Nicole Heiniger e o francês Miguel Donvez, mais conhecido como Mimi The Clown, que veio especialmente ao Brasil para o evento.

No dia da abertura, o designer e proprietário da loja, Paulo Galhardo, de 37 anos, recolheu as bicicletas e transferiu a maior parte da mercadoria para o depósito no dia da vernissage de Todo Muro é Uma Porta.

Todas as obras foram vendidas, até mesmo um quadro de R$ 7 mil do grafiteiro Mimi. "Adorei conhecer o Brasil", disse o francês, que voltou para Lyon com a carteira cheia. Além dos quadros, que ficam na loja até 5 de novembro, há na fachada uma pintura de Mimi.

"Essa é uma forma de apresentar novos artistas", explica Galhardo, que está sempre inventando uma nova atração. Aos sábados, costuma, por exemplo, promover degustações na loja.

Fotografia. Para quem gosta de fotografia e viagem, a dica é a loja Madeira Bonita, na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, nos Jardins. Depois de passar uma temporada em Istambul, na Turquia, a designer e proprietária da loja Márcia Espíndola, de 53 anos, desenvolveu uma linha de camas com as cores dos tapetes e lenços do oriente. E convidou Rômulo Fieldini para expor na loja um trabalho fotográfico que produziu na Turquia.

A Decameron também apresenta uma exposição fotográfica, que reúne 16 fotógrafos. Contém Urbanas tem curadoria da experiente fotógrafa Maristela Colucci, que também participa com um retrato. "Pedi que cada um deles trouxesse uma visão que não fosse convencional das metrópoles brasileiras", explica Maristela. "Para o fotógrafo, o ideal é estar o mais perto possível do público. A loja vira um ótimo espaço para isso."

TODO MURO É UMA PORTA: TAG AND JUICE: TEL.: (11) 2362-6888 ; ATÉ 5 /11 CONTÉM URBANAS: DECAMERON: TEL.: (11) 3097-9344 . ATÉ 23/02/2012. TODOS UM: CAVALERA ARTS PROJECT: TEL.: (11) 3061-2356. ATÉ SÁBADO, 08/10

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