Explosão no Rio: dono do local culpa fornecedora de gás

Empresário diz que não sabia que Filé Carioca funcionava com alvará provisório desde que foi inaugurado, em 2008

PEDRO DANTAS / RIO, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2011 | 03h04

O empresário Carlos Rogério do Amaral, dono do restaurante Filé Carioca, que funcionava no centro do Rio e explodiu na quinta-feira, depôs ontem à Polícia Civil. Ele culpou a distribuidora de gás SHV pela explosão dos botijões em seu estabelecimento, que matou 3 pessoas e feriu 17. Quatro vítimas estão internadas, três em estado grave.

Segundo o empresário, a SHV fazia manutenção e troca semanal de botijões no restaurante. Na semana passada, a troca ocorreu dois dias antes da tragédia. O empresário disse ter ouvido do chefe de cozinha Severino Antônio, com quem conversou por telefone antes da explosão, que um dos botijões foi achado aberto. Severino morreu no local.

Após o acidente, peritos recolheram um botijão vazando. Segundo o delegado Antônio Bonfim, da 5.ª DP (Lapa), o dono reafirmou desconhecer que o estabelecimento funcionava com alvará provisório desde a inauguração, em 2008, e que nunca houve fiscalização no estabelecimento. Segundo Amaral, um contador foi quem conseguiu renovar por cinco vezes o documento que permitia o funcionamento da casa, mesmo com a proibição do uso de gás no prédio.

Um representante comercial da SHV, que preferiu não ser identificado, informou que a empresa é apenas uma distribuidora de gás e não monta botijões ou cilindros em estabelecimentos comerciais. "Ele adotou a estratégia de diluir a responsabilidade", avaliou o delegado. Segundo ele, o empresário estava em casa na hora da explosão e por isso não soube esclarecer como aconteceu o acidente, mas afirmou que funcionários costumavam fumar na área dos botijões.

Choro. Amaral chegou à 5.ª DP chorando, acompanhado por seu advogado, e não falou com a imprensa. Às 19h05, após depor durante 3h30, ele deixou a delegacia calado e foi escoltado até o próprio carro por seis policiais civis. O delegado disse que não determinou a escolta, mas ressaltou que o dono do restaurante "tem direitos que não podem ser violados". Segundo a polícia, provavelmente o gás vazou e se acumulou durante toda a quarta-feira, feriado, quando o restaurante ficou fechado. Na quinta, quando os funcionários começavam o turno, uma faísca ou cigarro causou a explosão.

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