EVELSON DE FREITAS/ESTADÂO
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Explosão de blocos de carnaval movimenta lojas na 25 de Março

Na Ladeira Porto Geral, vendas cresceram 20%; foliões trocam brinquedos de água por espuma

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

11 Fevereiro 2015 | 03h00

A explosão dos blocos de rua em São Paulo já afeta as lojas especializadas em fantasias da Ladeira Porto Geral, na região da Rua 25 de Março, no centro. Ali, os comerciantes estão registrando aumento de até 20% nas vendas de acessórios para o carnaval paulistano.

Segundo lojistas, há muito tempo não se vendiam tantas máscaras, óculos, perucas entre outros acessórios. “Antigamente, os clientes compravam os artigos e viajavam. Agora, eles ficam em São Paulo. Para nós, esses blocos de rua renovaram nosso público”, disse Pierre Sfeir, de 58 anos, dono da loja Festas e Fantasias. No fim de semana, ele abriu o comércio para atender foliões que pulavam carnaval nos blocos que passaram pelo centro. 


As estudantes de moda Isabela Faria, Larissa Felix e Taynah Machado, todas de 18 anos, montaram um grupo no aplicativo Whatsapp para organizar as compras. “É a primeira vez que me divirto assim em São Paulo, no meio da rua. No fim de semana passada, reencontrei vários colegas da época do colégio”, afirmou Isabela. As amigas curtiram os blocos nas regiões de Pinheiros e Vila Madalena, na zona oeste da capital paulista. 

Elas reuniram 11 amigos, montaram um grupo no aplicativo, juntaram R$ 100 e foram às compras. “Muita gente ficou em São Paulo porque não tem dinheiro para viajar. Não é a mesma coisa que sair da cidade, mas é bastante divertido”, afirmou. Compraram máscaras, tiaras com orelhas de onça, colares e perucas. 

A também universitária Giulia Fioratti, de 20 anos, disse se sentir mais “à vontade” de pular carnaval nas ruas de São Paulo. “As pessoas estão respeitando mais, aprendendo a conviver com os outros na rua. Isso me deixa empolgada para trocar uma viagem pelos blocos de rua de São Paulo”, disse.

Espuma em vez de água. Com o agravamento da crise hídrica, as bisnagas e pistolas de água estão sendo cada vez menos procuradas. 

O que já era uma tendência nos carnavais anteriores, tornou-se uma realidade neste ano. Os brinquedos estão sendo substituídos pelas latas de espuma. 

“Não tem água para colocar dentro da bisnaga. E a espuma é bem mais divertida”, disse a atendente Viviane Aparecida de Campos, de 27 anos. Ela comprou três caixas, cada uma com 24 latas de espuma, pagando R$ 69. “Vai sair quase o mesmo preço de uma conta de água e ainda por cima me livro de ter de pagar essa multa da Sabesp”, brincou Viviane, que vai distribuir as latas pela família. 


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