Experts cobram identificação dos locais e ações de infraestrutura

Com base no reconhecimento dos assentamentos precários do Município, o PMH detalha as prioridades, relaciona valores para ações e quantifica novas unidades. Entretanto, ainda não define onde e como essas novas unidades serão construídas, fato criticado por especialistas.

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2010 | 00h00

O professor da USP Nabil Bonduki, por exemplo, diz ter dúvidas até sobre o número de pessoas que precisariam ser removidas atualmente das áreas de risco. "Não sei se uma realocação dessa ordem resolveria o problema. Tenho dúvidas se todo o restante das moradias em áreas precárias poderá ser transformado em moradias dignas", afirma Bonduki. Ele observa que as favelas, mesmo depois de urbanizadas, podem adensar e sofrer novas ocupações. "Há ainda o problema de não identificar claramente onde serão essas construções. O plano não aponta como reverter o esvaziamento do centro", observa o arquiteto, um dos autores do Plano Diretor de 2002 (que já previa a necessidade de elaboração do PMH).

A análise é endossada pelo urbanista Cândido Malta Campos Filho, também da USP. Ele ressalta que não basta dar moradia, tem de haver preocupação com a disponibilidade de serviços e levar empregos para as zonas lestes e sul, que respondem por quase metade do déficit habitacional. "A localização de moradias populares nunca foi levada em conta", observa.

A arquiteta Heloísa Proença, ex-secretária de Planejamento de São Paulo, considera que as novas moradias têm de ser inseridas na cidade. "Culturalmente, a atividade urbana é segmentada e ainda há a dificuldade de se conseguir bons terrenos em áreas mais centrais."

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