Expert teme que VLT da zona leste já nasça saturado

Sistema que será utilizado na extensão da Linha 2-Verde tem menor capacidade de transporte

Eduardo Reina, de O Estado de S. Paulo,

11 de setembro de 2009 | 07h35

O veículo leve sobre trilhos (VLT), ou metrô leve, que será instalado entre a Vila Prudente e Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, em substituição aos corredores de ônibus do Expresso Tiradentes, antigo Fura-Fila, poderá entrar em operação sem capacidade para atender a toda a demanda existente na região, segundo Jeffrey Kenworth, especialista em planejamento urbano e professor do Instituto de Política para a Sustentabilidade da Universidade de Curtin, na Austrália. Ele alerta que o VLT não é um meio de transporte de massa, mas pode promover o desenvolvimento, tornando as cidades sustentáveis, além de revitalizar o meio urbano. Serão 24 km de trilhos suspensos em viadutos, que vão passar por 120 cruzamentos, uma extensão da Linha 2-Verde do Metrô e 17 estações. A construção prevê três etapas até 2012.

 

Kenworth destaca que é necessário minucioso planejamento para implementar VLTs, de forma a evitar que o sistema comece defasado, sem capacidade. Isso porque a facilidade e a comodidade desse meio fazem aumentar o número de viagens por passageiro. "O metrô leve não é um modo de transporte de massa. Ele funciona para transportar número menor de passageiros entre pequenas regiões, até a interligação com o metrô, trens ou outros meios de transporte de maior porte", diz Kenworth, uma das maiores autoridades em VLT. Cidade Tiradentes fica no extremo leste da capital e abriga uma população de mais de 220 mil pessoas. Mas a região atendida por esse projeto agrega mais de 1,5 milhão de pessoas, 17% dos habitantes da capital.

 

"Com VLT, há registro de 20,3% de crescimento das viagens per capita", conta o professor. Kenworth ressalta que a força do sistema sobre trilhos é de alto custo, mas que é mais importante para o desenvolvimento e a reurbanização de uma cidade do que apostar no sistema sobre pneus, com mais ônibus. "A única forma de melhorar a velocidade dos carros é melhorando a velocidade do transporte público. E só se pode fazer isso com construção de trilhos. É preciso evitar o ciclo vicioso de mais ruas, mais carros, mais poluentes. Seria o caos."

 

Hoje, uma viagem da região central de São Paulo até Cidade Tiradentes é feita em mais de duas horas. Com o VLT, a estimativa é de os trens trafegarem a uma velocidade média acima de 40 km/h, o que reduziria o tempo de viagem para 50 minutos. De acordo com o diretor de Planejamento e Expansão dos Transportes Metropolitanos do Metrô, Marcos Kassab, o projeto entre Vila Prudente e Cidade Tiradentes leva em conta toda a alta demanda que o percurso apresenta e prevê composições com capacidade padrão em todos os modelos de transporte público, de 6 passageiros por m². "O que se adapta melhor para esse trecho é o monotrilho. Vai operar em sistema elevado para evitar passar por todos os cruzamentos."

 

O diretor do Metrô conta também que o sistema será operado sem a necessidade de condutor. "Toda a tecnologia de sinalização e comunicação será nova, chamada CBTC (Communication Based Traffic Control), que favorecerá a diminuição do intervalo operacional entre as composições a 75 segundos nos horários de pico", diz. Ele mostra estudos que apontam que a velocidade média no percurso no chão seria entre 13 km/h e 15 km/h, enquanto a velocidade do trem instalado em elevado pode chegar a mais de 40 km/h.

 

O custo de implementação desse sistema de metrô leve suspenso é de aproximadamente um terço do valor do metrô padrão, subterrâneo, com o dobro de capacidade de transporte. O km do sistema convencional de metropolitano varia entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões. Já o custo de instalação do km do VLT, segundo Paulo Alvarenga, da Siemens Mobility, está em torno de US$ 50/60 milhões.

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