Experiência no Haiti é modelo para a operação

Seis de cada dez homens enviados pelo Exército participaram da missão de paz; ministro Jobim vê 'grande risco', mas diz que é a hora de enfrentá-lo

Clarissa Thomé / RIO, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2010 | 00h00

Dos 800 militares que ocupam desde ontem o entorno da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão, 60% integraram a missão de paz das Organizações das Nações Unidas (ONU) no Haiti. Não há previsão de que a tropa faça incursões nas favelas, mas vai revidar, caso traficantes ataquem. "Se formos atacados, não há como não responder. Estamos com armas e, se necessário, vamos usá-las", afirmou o general Adriano Pereira Júnior, comandante militar do Leste.

No pedido ao Ministério da Justiça, a Secretaria de Segurança requisitou o apoio de tropas experientes, que tivessem base no Rio de Janeiro. "O Ministério da Defesa tem estrutura muito maior do que a Força Nacional de Segurança. Os integrantes da Força teriam de ser chamados de vários Estados e as viaturas viriam por terra", explicou o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.

Os militares atuarão acompanhados de pelo menos um policial civil, militar ou federal - agentes que têm poder de polícia judiciária e farão a abordagem de pedestres e motoristas. A intenção, explicou Beltrame, é que se evite questionamentos a respeito da legalidade da ação do Exército. "O Exército não tem liberdade de empregar tropas", completou o general Adriano.

"A operação que segue tem grande risco. Esse não é o momento de contornar riscos, mas de enfrentá-los", resumiu o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Visivelmente abatido, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) referiu-se à atuação das Forças Armadas no Rio como um momento de "dimensão histórica". "Está demonstrado àqueles que não respeitam a lei que o Estado de Direito Democrático se uniu", afirmou.

PARA LEMBRAR

Desde a Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente (Eco-92), as Forças Armadas são usadas contra bandidos no Rio. Em 1994, em uma das maiores operações do tipo na cidade, soldados do Exército e fuzileiros navais ocuparam morros e favelas durante a chamada Operação Rio. A ocupação das favelas com 20 mil homens do Exército durou de novembro daquele ano até maio de 1995. Ainda hoje, militares que participaram da operação respondem a processos na Justiça por abusos durante as ocupações.

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