Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Expansão de ciclovias em São Paulo já enfrenta resistência

Moradores reclamam que a Prefeitura instala as faixas sem informar a população; desde o dia 7 de junho, já foram instalados 10,5 km

Luiz Fernando Toledo e Fábio Rossini, O Estado de S. Paulo

02 Agosto 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Ao menos um quilômetro de ciclovia está sendo instalado por semana em São Paulo. Desde o dia 7 de junho, a Prefeitura já implementou 10,5 km e promete acelerar o processo até o final do ano. A expansão da malha, cuja previsão da administração municipal é chegar a 400 km até o final de 2015, tem enfrentado resistência de alguns comerciantes e moradores e recebido elogios de cicloativistas.

Em trecho prestes a ser finalizado, na Chácara Santo Antônio, zona sul da capital, ciclovia na Rua Fernandes Moreira deixou a via estreita e acabou com o estacionamento. O impasse levou os moradores a criar um abaixo-assinado, pedindo que a Prefeitura reveja o projeto e discuta com a população os locais de instalação das faixas. “As pessoas agora ficam disputando as vagas no outro lado da rua”, disse a moradora Renata D’Angelo, de 41 anos. 

 

“Aconteceu da noite para o dia. Por que não nos avisaram?”, reclamou Whualter Kleber, que é proprietário de uma loja de som na Rua Guaianases, região central, que também ganhou ciclovia. Na mesma região, o cozinheiro Leonardo Roth Stulman defende a ação. “É tudo uma adaptação, uma mudança cultural”, disse. 

A proposta da gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) é fazer com que São Paulo chegue ao patamar das grandes capitais do ciclismo, como Berlim (750 km) e Nova York (675 km). Para isso, cerca de 40 mil vagas de estacionamento deverão ser extintas para dar lugar às vias. O secretário dos Transportes, Jilmar Tatto, defende a estratégia. “Vamos tirar vagas dos carros para uma ocupação do espaço público pelas bicicletas.”

Seis inaugurações já foram realizadas até o momento, a última na Avenida Cruzeiro do Sul, que ganhou 700 metros e deve se estender até as Estações Santana e Tucuruvi do Metrô. Com isso, a cidade chega a 73,51 km do sistema, além das ciclofaixas que funcionam aos domingos. As ciclovias atingiram prioridade semelhante à que foi dada pelo governo municipal às faixas exclusivas de ônibus em 2013, que já somam 344,7 km.

 

Mudança. Na Rua Souza Lima, na Barra Funda, zona oeste, parte da ciclovia foi instalada em uma rua de mão dupla com espaço para estacionamento, impossibilitando que carros em direções opostas possam trafegar ao mesmo tempo. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que a rua vai virar mão única.

Nas ciclovias recém-inauguradas do centro, em pontos como Alameda Nothmann, Rua Guaianases e Largo do Paiçandu, o movimento de ciclistas durante a semana ainda é pequeno. Para Cesar Tadeu Piovezanni, membro da Comissão de Direito Viário, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), as medidas atendem à necessidade do trânsito de São Paulo. “O interesse coletivo deve ser sobreposto ao individual”, afirmou.

O consultor de mobilidade André Pasqualini acredita que a Prefeitura deveria focar mais na adesão de novos ciclistas. “Um exemplo é Chicago, que lançou um plano com a meta de fazer com que 5% dos deslocamentos sejam de bicicleta.”

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