Exonerado investigador que deu armas a meninas em delegacia

Carlos Evangelista havia sido afastado do cargo em janeiro, mas recorreu da decisão e trabalhou até maio

Brás Henrique, especial para O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2008 | 15h51

O investigador Carlos Eduardo Evangelista, de 29 anos, foi exonerado dos quadros da Polícia Civil em 22 de maio. Ele tinha sido afastado de seu cargo, em Ribeirão Corrente, na região de Ribeirão Preto, em janeiro, por ter permitido que cinco meninas, com idades entre 13 e 17 anos, fossem fotografadas dentro de uma delegacia segurando armas de fogo e em poses sensuais. O advogado e irmão dele, André Luís Evangelista, recorreu à Vara da Fazenda Pública de São Paulo seis dias depois, pedindo a reintegração do investigador no cargo e a nulidade do procedimento administrativo da Polícia Civil, por considerá-lo irregular. Entre o final de janeiro até 21 de maio Carlos cumpriu o expediente de trabalho na delegacia de São Joaquim da Barra. Segundo o advogado André Luís, Carlos Evangelista tem uma sentença contrária, por entregar arma de fogo a pessoa não habilitada. A pena imposta pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Franca, Luciano Franchi Lemes, é de três anos de prestação de serviços à comunidade (atividades ainda não definidas), mas o investigador não deveria perder o cargo público. A acusação de corrupção de menores caiu, segundo informou o advogado. Agora ele tenta reverter a decisão da exoneração na Justiça. Ribeirão Corrente tem pouco mais de 4 mil habitantes, ao lado de Franca, e o caso ganhou repercussão no início deste ano. O caso foi descoberto porque uma mensagem anônima, com 17 fotos - quatro mostravam as meninas com armas de uso exclusivo da polícia -, foi enviada a dois veículos de comunicação de Franca, que repassaram o conteúdo à Delegacia Seccional do município. Carlos Eduardo Evangelista tinha ingressado na Polícia Civil em fevereiro de 2006 e estava desde novembro de 2007 em Ribeirão Corrente, em "estágio probatório" (que dura três anos), o que permite o pedido de não confirmação na carreira e um processo administrativo mais ágil. Numa das fotos, o então investigador estava sentado numa cadeira, observando as meninas. Até um bebê estava no colo de uma das garotas. Carlos Evangelista teria conhecido as meninas - algumas com passagens pelo Conselho Tutelar, por problemas familiares - pelo site de relacionamentos Orkut. As fotos podem ter sido tiradas quando o então investigador estava atuando na delegacia de São José da Bela Vista, outra cidade ao lado de Franca. As imagens, feitas por telefone celular, teriam sido divulgadas no Orkut, mas inseridas no computador da própria delegacia.

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