Êxodo pós-obra em usina faz Rosana mudar a lei

Novo Plano Diretor permitirá prédios residenciais a 500 metros das margens dos rios, área que era preservada

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2016 | 05h00

SÃO PAULO - Desde que as últimas obras de ampliação da Usina Hidrelétrica Porto Primavera acabaram, em 2000, a cidade de Rosana vive um contínuo processo de êxodo habitacional. Os trabalhadores que ficaram anos no local por causa da construção da maior barragem do País, operada pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp), abandonaram o município com suas famílias em busca de emprego. 

Situada no extremo oeste paulista, no Pontal do Paranapanema, divisa com Paraná e Mato Grosso do Sul, Rosana foi a cidade que (numericamente) mais perdeu habitantes nesta década. São 1.567 moradores a menos do que em 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma queda de 8%. Na comparação com o Censo de 2000, o fenômeno fica ainda mais nítido. A população caiu de 24.229 para os atuais 18.124 habitantes. 

“Como havia um grande número de famílias de barrageiros (operários que fizeram a barragem) e cespianos (funcionários da Cesp), o impacto foi muito grande quando as obras acabaram. Nossa cidade tem uma série de restrições ambientais porque grande parte fica em Área de Preservação Permanente (APP). Por isso, as indústrias e as empresas nunca vieram para cá e as pessoas têm saído daqui em busca de emprego”, diz Denis Alexandre dos Santos, vice-prefeito de Rosana.

O Estado já havia mostrado, em abril deste ano, que o Distrito de Porto Primavera, onde fica a usina da Cesp em Rosana, virou uma espécie de cidade fantasma com a redução dos investimentos no setor energético e demissões. Dezenas de casas, lojas e pontos comerciais foram fechados e, na região central, prédios de grande porte ficaram ociosos e sem utilidade. Em um hotel de luxo com mais de cem apartamentos, os vigias se revezam apenas para evitar invasões e depredação. 

Flexibilização. Às margens dos Rios Paraná e Paranapanema, Rosana tem como principal atividade a exploração do turismo ecológico e pequenos comércios. O vice-prefeito espera que a aprovação de um Plano Diretor para o município, no fim deste ano, comece a reverter esse cenário. “Ninguém queria se instalar porque não se sabia o que podia fazer na cidade. Criamos regras para dar segurança e atrair investimentos.”

Uma das alterações, segundo ele, foi permitir a construção de prédios residenciais a uma distância mínima de 500 metros das margens dos rios. “Antes era tudo APP e não podia nada”, relata. De acordo com Santos, já existem três empreendimentos residenciais em construção e um investidor prestes a comprar uma área pública por R$ 2 milhões para construir imóveis. “Esperamos que daqui a quatro anos as coisas comecem a mudar.” 

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