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'Existe um exagero na fixação com a imagem'

Como o senhor recebeu a notícia de que o Brasil agora é líder mundial em cirurgias plásticas?

Entrevista com

Ivo Pitanguy, cirurgião plástico

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2014 | 02h03

Quando comecei, imaginava encontrar uma maneira de colocar a pessoa em paz com a sua imagem. Naquela época, o nome cirurgia plástica não era muito conhecido, assim como o conceito da autoestima.

O senhor é referência internacional. Sente-se responsável pela marca atingida pelo Brasil?

Não me sinto responsável, me sinto coadjuvante de um fato importante da medicina brasileira. Isso ocorreu pelo mérito de todos. Nossas técnicas ajudaram, mas a formação dada aqui é que faz a diferença. Temos formado muitos cirurgiões de qualidade, que, mesmo em cidades pequenas, dão à população a oportunidade de não conviver com as deformidades com que nasceram.

O senhor ainda opera?

Uma vez por semana dou consulta e vejo clientes. Faço o julgamento e indico a cirurgia apropriada. No momento da cirurgia, acompanho a equipe, mas não na posição de responsável direto.

Pensa em aposentadoria?

Não, ainda tenho tempo.

O senhor continua focado na cirurgia reparadora?

Não separo cirurgia reparadora de estética. Ninguém pode ser um bom cirurgião estético se não tiver uma boa formação na cirurgia geral.

Mas não alcançamos o posto de líder em função da estética?

A prática é sempre estética reparadora. Uma criança que nasce com lábio leporino e passa por reparação vai precisar de um acerto no nariz.

Acha que há um exagero no número de cirurgias realizadas no Brasil?

Acho que existe exagero na questão da imagem. As pessoas estão muito fixadas na imagem, quando deveriam estar focadas no espírito. Esse conceito, só de imagem, de selfie, tudo mais, é um narcisismo muito forte, que espero ser passageiro. Daí entra a força do cirurgião de ter o julgamento de não operar quando não estiver indicado. A consulta é fundamental para isso.

Com essa alta, a cirurgia plástica vai chegar com mais força ao setor público?

O setor público precisa crescer em tudo o que é básico. A cirurgia plástica será incluída com o progresso.

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