Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Exército pede ajuda a moradores para vigiar Alemão

Depois de denúncia do ''Estado'' sobre a volta do tráfico à região, militares fazem apreensão de cocaína, armas, carros e motos

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

12 Janeiro 2011 | 00h00

A Força de Pacificação admitiu ontem que traficantes permanecem nos Complexos do Alemão e da Penha e pediu aos moradores que denunciem os criminosos. "Precisamos quebrar esse círculo de medo desses pequenos focos de resistência, pois a presença deles mantém a população acuada e sem confiança para fazer as denúncias", afirmou o porta-voz dos militares, o major do Exército Fabiano Carvalho.

Um dia depois de o Estado divulgar trechos de documentos confidenciais do Exército que apontam o tráfico de drogas nas favelas, militares apreenderam no Alemão 143 papelotes de cocaína e pequena quantidade de munição para pistola e fuzil.

Em operação no complexo, a Polícia Civil apreendeu ontem 17 carros e 9 motos roubadas. Policiais também investigam dois assassinatos na Vila Cruzeiro que podem ter sido represálias de traficantes. Documentos do Exército relatam que mototaxistas atuam como olheiros do tráfico. Ontem, o Exército deteve um jovem de 17 anos numa moto roubada. Ele é sobrinho de Diego Raimundo da Silva dos Santos, o Mister M - preso em novembro, ao se entregar durante a ocupação do Alemão. O jovem disse ter comprado a moto de um amigo para trabalhar e foi liberado.

Insuficientes. Na noite de anteontem, o comandante do Batalhão de Campanha da Polícia Militar nos conjuntos de favelas, Edvaldo Camelo, foi exonerado. Ele permaneceu menos de um mês no comando da tropa. Oficialmente, a PM alegou "questões administrativas". Moradores, porém, queixam-se da presença insuficiente de policiais e alegam que os militares do Exército não reconhecem os criminosos. "Em relação aos criminosos procurados, todas as bases militares possuem fotos deles. Mas os que permanecem nos Complexos do Alemão e da Penha não têm ficha criminal e só podem ser presos em flagrante", explicou o major. Outro motivo que pesou para a exoneração foi a falta de punição de 42 PMs acusados de furto, extorsão e abusos contra moradores. "Registrei queixa na delegacia, fui recebido por deputados na Assembleia Legislativa e prestei depoimento na Corregedoria da PM, mas até agora nada aconteceu", disse Ronai Braga, de 32 anos. Morador da Vila Cruzeiro, ele acusa PMs de, durante revista em sua casa, roubarem R$ 31 mil de sua rescisão trabalhista.

TRECHO

"Documento Confidencial: boca de fumo funcionando na Favela da Galinha... ...com homens armados. Usuários usam senha "onde estão os amigos?" para comprar drogas."

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.