Exército ocupa ruas de Salvador, mas não consegue deter onda de violência

Saques, arrastões, comércio fechado e homicídios. A onda de violência causada pela greve da Polícia Militar, que levou pânico à população, fez o Exército ocupar ontem as ruas de Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Jequié e Ilhéus. Mas não deteve a série de homicídios, que incluía ontem à noite um ataque em Salvador a moradores de rua. Uma mulher que amamentava o filho morreu.

TIAGO DÉCIMO , SALVADOR, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2012 | 03h01

Pelo menos 2.350 integrantes das Forças Armadas, convocados de seis Estados (Rio, Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe), foram incorporados ao policiamento ostensivo que começou a ser feito anteontem por 950 homens da Força Nacional. Mesmo assim, o dia em Salvador foi de medo e o número de homicídios mais do que quadruplicou.

Nos bairros boêmios do Rio Vermelho e da Barra e no Largo de Santana, a maior parte dos bares fechou. Pelo menos 30 shows e peças foram cancelados.

De madrugada, 11 lojas da região central foram arrombadas e saqueadas, incluindo supermercados e joalheria. A tensão começara horas antes, quando policiais à paisana - e mascarados - tomaram ônibus e interditaram ruas. Houve congestionamentos de até quatro horas por toda a cidade.

Somados à ameaça de arrastões, esses fatos fizeram parte do comércio não abrir de manhã. Seis faculdades particulares de Salvador também suspenderam as aulas. A situação só se normalizou por volta das 10h, com a chegada de tropas do Exército.

A mesma situação se repetiu nas cidades de Itabuna e Ilhéus. Os moradores de Feira de Santana tiveram ainda de lidar com a falta de transporte público. No fim da tarde, a presidente Dilma Rousseff definiu o envio ao Estado de toda a cúpula nacional de Segurança: o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi, e a secretária nacional da Segurança, Regina Miki.

Na terça, a Aspra, entidade que representa 2 mil dos 32 mil PMs, iniciou a paralisação. Apesar da liminar dada anteontem pela 6.ª Vara da Fazenda Pública, que determinava o fim do movimento, a paralisação atingiu ontem um terço da categoria.

Para "garantia da ordem em Salvador e no interior do Estado", a sede da Aspra chegou a ser lacrada ontem pela Justiça. A entidade nega relação com a onda de violência e diz que só cobra do governo incorporação de gratificações aos salários, além de regulamentação de adicionais. Pela TV, o governador Jaques Wagner (PT) disse que uma minoria de policiais tenta "assustar a população" e anunciou - sem dar detalhes - que mandou prender 12 pessoas ligadas ao movimento grevista. O Estado abriu negociações com seis entidades policiais, mas não convidou a Aspra, por não reconhecê-la.

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