Alfredo Risk/Futura Press
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Exército fecha cerco a roubos de explosivos

Operação fiscaliza pedreiras e obras, alvos de grupos que atacam caixas eletrônicos

Ricardo Brandt , O Estado de S. Paulo

22 Fevereiro 2014 | 19h36

CAMPINAS - Para reduzir os roubos a caixas eletrônicos com uso de explosivo no País, o Exército brasileiro fechou o cerco na fiscalização de pedreiras, empresas de transporte e grandes obras, que usam dinamite e são alvo das quadrilhas organizadas. Em apenas três dias, uma força tarefa batizada de Operação Dínamo apreendeu, no final do ano passado, 80 toneladas de explosivos, metade no Estado de São Paulo.

O acesso fácil às dinamites, que são roubadas ou desviadas de pedreiras, de obras e durante o transporte, foi o que sustentou a proliferação desse tipo de ação no País nos últimos três anos, segundo a Polícia Civil.

"O boom de casos ocorreu em 2012, iniciado nas regiões de Hortolândia e Sumaré, berço das quadrilhas de explosões de caixas. Elas se espalharam para Minas Gerais e Paraná", afirma o delegado Fábio Pinheiro Lopes, da delegacia especializada em roubo a bancos do Departamento Estadual de Investigação Criminal (Deic).

De janeiro a setembro de 2012, foram registradas mais de duas explosões de caixa por dia no Estado de São Paulo, um total de 697 casos, segundo dados do Deic. Com o início das investigações de identificação e prisão das quadrilhas especializadas e o maior controle dos explosivos, os casos caíram para 370, no mesmo período de 2013.

Apesar de renderem quantias menores aos criminosos, são ações rápidas e de retorno garantido. A Federação Nacional dos Bancos (Febraban) calcula que os roubos de caixas eletrônicos com explosivos causaram um prejuízo de R$ 75 milhões em 2012 - enquanto crimes cibernéticos e outros roubos e fraudes provocaram um rombo de R$ 1,4 bilhão aos bancos.

Segundo o Exército, o objetivo da Operação Dínamo foi "evitar ou reduzir a possibilidade de que explosivos utilizados por empresas registradas, ou de origem ilícita, sejam desviados e empregados contra pessoas e estruturas".

Em fevereiro do ano passado, seis homens encapuzados e fortemente armados roubaram 75 quilos de dinamite durante seu transporte. O material seria usado na duplicação da Rodovia dos Tamoios, principal acesso ao litoral norte paulista, na cidade de Paraibuna.

No mesmo mês foram roubados, em uma pedreira em Ribeirão Preto, quase 500 quilos de dinamite. Para se ter uma ideia, na demolição do prédio do presídio do Carandiru, em dezembro de 2002, em São Paulo, foram usados 250 quilos.

"São Paulo e Minas Gerais têm muitas pedreiras e também obras acontecendo o tempo todo. Os criminosos conseguem facilmente o explosivo e isso tem feito com que pessoas sem experiência morram e coloquem em risco a vida de outras", afirma o delegado.

Em setembro do ano passado, dois criminosos tentaram explodir um caixa eletrônico em um mercado, no Capão Redondo, periferia de São Paulo. A bomba explodiu antes que eles pudessem se afastar, um deles morreu na hora e outro sobreviveu, mas teve o corpo mutilado.

O presidente do Sindicato da Indústria de Mineração de Pedra Britada do Estado de São Paulo (Sindipedras), Tasso de Toledo Pinheiro, informou que o setor está vulnerável e que, desde que esses crimes começaram, há uma sensação de medo. "Geralmente, há dois seguranças, mas o que eles podem fazer contra as quadrilhas?"

Grandes pedreiras eliminaram o armazenamento de dinamite e usam explosivo bombeado, que é transportado em caminhão-tanque e colocado direto no local da detonação. "O explosivo chega no dia que vai ser usado e dessa forma que vem não tem utilidade para o crime", garante Pinheiro.

A Febraban se diz preocupada com a audácia dos criminosos, que "usam força desproporcional", que não pode ser evitada com a segurança privada dos bancos. Para a entidade, é preciso ações conjuntas para impedir "que os bandidos tenham acesso fácil a explosivos, como vem acontecendo há três anos".

Controle. Por lei, pedreiras e empresas especializadas podem armazenar e usar explosivos. Quem controla esse mercado é o Exército. São 1.070 empresas que tinham, em 2012, permissão para usar dinamite no Brasil. Oficialmente, foram registrados 60 extravios.

No Rio Grande do Sul, uma quadrilha chegou a comprar uma pedreira para ter acesso direto aos explosivos e para treinar seus membros, segundo as investigações da Polícia Civil. Elisandro Falcão, identificado em pelo menos 15 crimes e líder do grupo, foi morto em dezembro de 2012 em confronto com a PM. "O objetivo maior da operação foi mostrar a presença do Estado e o trabalho conjunto no combate aos ilícitos envolvendo o uso de explosivos", informou o Exército.

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