Exército começa a erguer pontes provisórias

Missão reforça desejo da presidente Dilma de ver as Forças Armadas atuando na linha de frente das ações no Rio

Bruno Tavares e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2011 | 00h00

O Exército começa ainda nesta semana a instalar pontes provisórias para tentar restabelecer os acessos às localidades da região serrana do Rio que ficaram isoladas após as chuvas da semana passada. O município de Bom Jardim, a nordeste de Nova Friburgo, será o primeiro a receber essas estruturas.

A missão vai ao encontro do desejo da presidente Dilma Rousseff de ver as Forças Armadas atuando na linha de frente das ações no Rio, a exemplo do que ocorreu no Morro do Alemão, em novembro. Preocupada com a desarticulação entre os órgãos do governo, Dilma quer um "maior protagonismo" dos militares, pois conhece a capacidade de organização deles.

As tropas já dispõem de 100 metros de pontes tubulares. Mas depois de sobrevoar a região e conversar com os prefeitos das cidades devastadas, o Exército avaliou que as necessidades eram maiores do que se imaginava e decidiu trazer mais 60 metros de pontes.

A estrutura que será montada em Bom Jardim vai levar de 3 a 4 dias para ser trazida de Cachoeira do Sul (RS) para a serra fluminense. O tempo de instalação varia de 2 a 4 dias, dependendo das condições do clima e do solo.

Projetadas para cenários de combates, essas estruturas servem tanto para a travessia de pedestres quanto de veículos - suportam até o peso de caminhões carregados de mantimentos.

A grande vantagem das pontes tubulares é o tempo de instalação. Enquanto uma ponte de alvenaria leva vários dias para ficar pronta, por causa do tempo de secagem do concreto, as estruturas de metal são erguidas em no máximo quatro dias.

Embora os homens do Exército já tenham ido a campo para avaliar as necessidades de cada um dos municípios, é o governo do Rio que vai definir as ações prioritárias. "Como todos os municípios fizeram solicitações ao Exército, o governo ficou de definir quais as situações mais urgentes", explicou o major Rovian Alexandre Janjar. Por enquanto, as Forças Armadas estão atuando na região serrana em apoio às iniciativas do governo. Os militares só passarão a comandar a operação se Dilma determinar, o que ainda não ocorreu.

O maior desafio dos militares para erguer as pontes será lidar com a instabilidade do terreno. Os deslizamentos e as enchentes provocaram erosões nas margens dos rios e, além disso, o solo está encharcado.

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