Exército cerca a Assembleia e exige rendição de grevistas da PM baiana

Energia elétrica foi cortada do prédio no início da noite; primeiro líder do movimento foi preso e há mandados da PF contra outros 11

TIAGO DÉCIMO / SALVADOR , DIEGO ZANCHETTA, ENVIADO ESPECIAL A ITABUNA, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2012 | 03h01

Após cinco dias de paralisação da Polícia Militar na Bahia, tropas federais cercaram ontem o comando do movimento e suas famílias na Assembleia Legislativa e exigiram que o grupo se entregasse. Uma invasão do local pelas tropas federais, de madrugada, não estava descartada. Ontem, o primeiro líder do movimento foi preso e outros 11 contam com mandados de prisão.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo, fez um apelo ao Exército à tarde para que a Casa fosse desocupada. O abastecimento de energia elétrica foi cortado às 19h e as tropas federais fizeram incursões no entorno, usando blindados Urutu do Exército, que chegaram ontem a Salvador, e helicópteros. A iluminação só era mantida por geradores.

Os policiais grevistas dizem não querer o confronto com as tropas do Exército ou com os 40 integrantes do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal (PF), que chegaram a Salvador para cumprir 11 mandados de prisão, mas avisam que vão responder eventuais atos de violência.

Cerca de 300 PMs amotinados aglomeram-se na frente da Assembleia. "Chamem os colegas, é uma noite fundamental para a luta", disse o presidente da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares (Aspra), Márcio Prisco. Segundo ele, a greve ganhou a adesão e 32 cidades já estão sem policiamento.

As negociações entre o governo do Estado e seis associações de PMS foram paralisadas ontem. A administração informou que só negocia com o fim da greve e os sindicalistas disseram que não têm como interferir nas ações da Aspra - entidade não reconhecida pelo governo.

Prisco chegou a avisar os colegas, na Assembleia, que recebeu uma proposta do Estado. "Falei com o coronel (Alfredo) Castro (comandante-geral da PM) e ele propôs anistia total e irrestrita a todos os companheiros grevistas, a incorporação de duas gratificações aos salários e a revogação de todos os mandados de prisão, menos o meu." Na sequência, o grupo votou pela manutenção da greve.

Já o governo nega ter feito qualquer contato. "A única proposta é: voltem a trabalhar", rebateu o secretário de Comunicação, Robinson Almeida. "Os mandados de prisão serão cumpridos, mais cedo ou mais tarde. Isso já saiu da esfera do Estado, é uma determinação do governo federal."

O soldado da PM Alvin dos Santos Silva, diretor da Aspra, foi preso, na madrugada de ontem, em Salvador. Ele foi acusado de roubo de patrimônio público (uma viatura da corporação) e formação de quadrilha. Já um grupo da PF deve chegar a Ilhéus hoje para cumprir mandado de prisão contra o PM Augusto Leite de Araújo, líder do movimento grevista no sul da Bahia. Ele está aquartelado com outros 400 homens no 11.º Batalhão.

Homicídios. Apesar da presença de mais de 1,5 mil militares e integrantes da Força Nacional nas ruas de Salvador e região metropolitana, os bairros periféricos ainda registram altos índices de violência. Na região metropolitana, houve 18 casos entre as 19 horas de sábado e as 7 horas de ontem - 9 em Salvador. Desde terça-feira, foram 84 homicídios na região metropolitana.

Neste domingo, novos atos de vandalismo foram registrados na cidade. Duas lojas e dois supermercados foram arrombados e saqueados. No bairro periférico de Arenoso, um ônibus foi metralhado por dois homens. Já o comércio das cidades do sul baiano e as agências bancárias só vão reabrir hoje, sob a vigilância de 330 homens do Exército.

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